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Teatro Nacional de São Carlos
O Teatro Nacional de São Carlos (TNSC) foi erguido em 1792-1793 em Lisboa segundo projecto do arquitecto José da Costa e Silva. A inauguração ocorreu a 30 de Junho de 1793 com a ópera La Ballerina amante de Cimarosa. [editar] O estiloA fachada apresenta traços neoclássicos que integra perfeitamente o edifÃcio na Lisboa pombalina. No seu traçado arquitectónico e urbanÃstico burguês, a sala de espectáculos, é desenhada como um espaço aristocrático, de representação oficial, fortemente hierarquizado nas suas cinco ordens de camarotes com uma tribuna real de rara imponência, porventura sem paralelo em teatros públicos desde o século XVIII. É verdadeiramente um palco exemplar, como decorre na descrição de Gustav von Heeringen relativamente à noite de gala por ocasião das núpcias da rainha D. Maria II com Fernando de Saxe-Coburgo, em 1836. De forma elÃptica e concebida de modo a que os pontos focais respectivos, no proscénio e no lugar do rei, correspondessem também ao ideal de uma acústica perfeita, a sala segue o modelo do teatro italiano, servindo primariamente a fruição do bel canto. Conquanto, no essencial, a sala mantenha os traços originais, que fazem dela uma autêntica jóia da arquitectura teatral do barroco tardio, sofreu várias alterações ao longo dos séculos XIX e XX: o proscénio foi encurtado, o fosso da orquestra, alargado e rebaixado. A remodelação de 1940 afectou irremediavelmente os poços acústicos por baixo do palco, que foram removidos, bem como destruiu o labirinto de corredores e escadarias abobadados e decorados com azulejos. Ganhou-se em desafogo e em representatividade dos acessos, mas perdeu-se em qualidade acústica, dada a função de caixa de ressonância do dispositivo originário. A construção do teatro, decidida em 1792, num contexto polÃtico de hostil posição à s ideias iluministas, só se tornou possÃvel justificando-se como fonte de receita para uma obra de caridade - a Casa Pia, fundada em 1780 pelo intendente Pina Manique. Foi, aliás, este, então intendente da PolÃcia e antigo homem de confiança do primeiro-ministro Sebastião de Carvalho e Melo, quem conseguiu obter da Coroa a permissão. Por detrás da justificação oficial, estavam, porém, os interesses de abertura e modernização da sociedade portuguesa de um grupo de grandes negociantes de Lisboa, entre outros, os contratadores do tabaco, que haviam prosperado na época pombalina. Um deles, Quintela, feito barão em 1805 (mais tarde Conde de Farrobo, e Director do próprio Real Teatro de São Carlos entre 1838 e 1840), que cedeu os terrenos para o edifÃcio em troca da propriedade de um camarote de primeira ordem, com anexos e acesso privado à rua, fronteiro ao camarote lateral, de proscénio, da famÃlia real. Quarenta grandes de negociantes de Lisboa, entre os quais a famÃlia Quintela, já tinham assumido um papel decisivo na área teatral, na época de D.José, com a criação de uma Sociedade para a Sustentação de Teatros Públicos, autorizada por alvará real de 1771, e de onde resultou o funcionamento de dois teatros públicos, com acesso mediante entradas pagas: o Teatro da Rua dos Condes, dedicado à ópera italiana, onde se celebrizou a Zamperini, e o Teatro do Salitre, para drama e comédia em lÃngua portuguesa. Em 1755, de acordo com o espÃrito iluminista ou de "despotismo esclarecido" da época, a própria Coroa fez inaugurar a faustosa "Ópera do Tejo", um teatro de corte, anexo ao antigo Paço da Ribeira, onde só se era admitido por convite. A Ópera, que esteve em actividade apenas alguns meses, foi destruÃda pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755. Com a inauguração do Real Teatro de S. Carlos, deixou de ser representada ópera italiana no Teatro da Rua dos Condes. Até à queda da Monarquia o Teatro de São Carlos era habitualmente chamado "Teatro Italiano", o que mais se acentuou, na sequência da Reforma Teatral de Garrett (1836), com a inauguração em 1846 do Teatro Nacional e Normal (D. Maria II), o qual, todavia, era exclusivamente destinado ao teatro declamado. No "Teatro Italiano", pelo contrário, só cantavam as companhias italianas, com uso praticamente exclusivo da lÃngua italiana. Não só os compositores portugueses eram obrigados a escrever sobre libretos em italiano ou traduzidos para italiano (como aconteceu com a primeira ópera de cariz nacional estreada no S. Carlos, A Serrana, de Alfredo Keil, 1899), mas também toda a ópera francesa e alemã, incluindo Wagner, foi sempre cantada em italiano até 1908. Assim, e não obstante o "Real Theatro de São Carlos" ser, na época, o teatro oficial por excelência, superando o próprio Teatro D. Maria II, era a lÃngua italiana que nele prevalecia - ao contrário, por exemplo, da prática do Grande Ópera, em Paris, onde só era permitido o uso da lÃngua francesa, mesmo para compositores estrangeiros (o que explica, nomeadamente, a existência de versões originais de Rossini, Donizetti, Verdi ou Wagner sobre libretos em francês, ou elaborados de raiz, ou traduzidos para o efeito). O projecto de um Teatro Nacional de Ópera chegou a ser objecto de um Decreto do Governo de Hintze Ribeiro (1902), prevendo-se que viesse a ser edificado onde hoje se encontra o edifÃcio do Governo Civil, ao lado do S. Carlos. A concretização do projecto - deixada, aliás, pelo Estado à iniciativa privada - não passou do papel. Até há pouco tempo, o largo fronteiro era prejudicada pela sua utilização como parque de estacionamento. Foi recuperado como espaço de passeio e lazer, incluindo uma esplanada que serve o restaurante concessionado pelo Teatro. Ocasionalmente, têm sido transmitidas récitas, em directo, para o Largo ("Teatro ao Largo") através de uma tela gigante e de um sistema de som especialmente montados para o efeito. A época de ópera decorre sensivelmente de Novembro a Junho, mas há concertos e bailado noutras alturas do ano. Alguns dos espectáculos organizados pelo TNSC são levados à cena no palco do grande auditório do Centro Cultural de Belém. [editar] Bibliografia
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