Partido da Social Democracia Brasileira

Partidos Políticos do Brasil Bandeira do Brasil
Partido da Social Democracia Brasileira
Presidente Sérgio Guerra
Fundação 25 de junho de 1988
Sede SGAS Q.607
Ed. Metrópolis, B2
Asa Sul, Brasília
Ideologia Política Social-democracia
Cores Azul e amarelo
Número no TSE 45
Website www.psdb.org.br

O Partido da Social Democracia Brasileira é um partido político brasileiro. Foi fundado em 25 de junho de 1988 por importantes figuras do cenário político brasileiro, como o ex-presidente (à época senador) Fernando Henrique Cardoso. Seu símbolo é um tucano nas cores azul e amarelo, e por esta razão, seus membros são chamados de "tucanos". Seu código eleitoral é o 45[1].

Índice

[editar] Fundação

Em 24 de junho de 1988 um grupo de dissidentes do PMDB capitaneados por políticos de São Paulo e Minas Gerais levaram a termo sua insatisfação com o governo Sarney que haveria "de se constituir no primeiro da Nova República para se fazer o último da Velha República". [2] Tal disparidade se acentuou durante a Assembléia Nacional Constituinte onde os membros do partido votaram pelos quatro anos de mandato para o Presidente da República apesar de a tese dos cinco anos ter prevalecido capitaneada pela maioria da bancada do PMDB e de políticos conservadores agrupados no "Centrão", liderados pelo deputado Roberto Cardoso Alves, grupo suprapartidário formado em fins de 1987. Dentre os fundadores do novo partido estavam Franco Montoro, José Serra, Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso escudados por Sérgio Motta, Magalhães Teixeira, o Grama e Geraldo Alckmin. Fora de São Paulo o novo partido arregimentou Pimenta da Veiga, Eduardo Azeredo, José Richa, Arthur da Távola, Célio de Castro, Afonso Arinos, Chagas Rodrigues, Almir Gabriel, Teotônio Vilela Filho e Maria de Lourdes Abadia. Posteriormente Aécio Neves, Arthur Virgílio, Tasso Jereissati e Ciro Gomes migrariam para o partido.

Segundo levantamento feito pela Editora Três via enciclopédia Brasil 500 Anos a bancada inaugural do PSDB no Congresso Nacional possuía nove senadores e trinta e nove deputados federais representando dezesseis estados e o Distrito Federal. Destes onze eram paulistas, porém a maior representação per capita era a de Alagoas com quatro nomes numa bancada de onze membros contra os sessenta e três vindos de São Paulo. Para corroborar tais assertivas basta dizer que dois dos três senadores paulistas e três dos oito deputados federais alagoanos se filiaram ao PSDB, inclusive Renan Calheiros.

Com este núcleo partidário, o PSDB foi formado pela confluência de diferentes pensamentos políticos contemporâneos: dos trabalhistas, adotou a primazia do trabalho sobre o capital; a ética, a solidariedade e a participação comunitária foram assimiladas dos pensadores católicos personalistas, e das ações políticas dos líderes europeus do pós-guerra. Trouxe do socialismo sua vertente democrática e do comunismo a luta dos trabalhadores por direitos iguais, inclusive no voto, e inclui ainda o combate ao totalitarismo de esquerda e direita, preponderantes no século XX[carece de fontes?].

[editar] Programa

Em Porto Alegre, da esquerda para a direita Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Yeda Crusius e José Serra. 22 de outubro de 2006. Foto: Marcello Casal Jr/ABr
Em Porto Alegre, da esquerda para a direita Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Yeda Crusius e José Serra.
22 de outubro de 2006. Foto: Marcello Casal Jr/ABr

O PSDB é um partido político brasileiro cujos militantes e simpatizantes geralmente se classificam como de centro-esquerda. Alguns críticos e intelectuais [3] [4],de esquerda, no entanto, por considerarem que o partido demonstra características neoliberais, citam-no como sendo de centro-direita, ou até mesmo de direita. Esta classificação, entretanto, é constantemente discutida dentro do partido. Documentos de autoria de seus integrantes debatem a respeito da validade atual desta classificação, questionando as diversas interpretações semânticas dos termos. Atualmente a Terceira via de Anthony Giddens é também uma das ideologias assumidas pelo partido.

Foi criado originalmente com o objetivo de representar a social democracia no Brasil[carece de fontes?]. Entre as principais propostas originais do partido, encontram-se a instituição do parlamentarismo no plano político e uma economia de mercado regulada pelo Estado, com participação mais livre das empresas privadas e de investidores internacionais. Tem status de observador na Organização Democrata Cristã da América (ODCA).[5]

Alterações políticas significativas no cenário mundial, como por exemplo a Queda do Muro de Berlim, tornaram a distinção entre esquerda e direita mais complicada. No Brasil, a dificuldade de se distinguir a posição do partido no espectro ideológico ficou maior no passado recente do país. As controvérsias em torno do uso dos termos "esquerda" e "direita" aumentaram, especialmente após um dos principais partidos de esquerda do Brasil, o Partido dos Trabalhadores (PT), ter passado a adotar políticas mais centristas. Dentro desse contexto, em 2003, entrevistado pelo jornal do PSDB, Fernando Henrique Cardoso, presidente de honra do partido, afirmou que independentemente da posição assumida pelo PT, a posição do PSDB deveria permanecer a mesma. FHC afirmou que do ponto de vista ideológico, o partido não poderia ceder, permanecendo onde estava, continuando com a sua linha "de centro-esquerda ou, centro olhando para a esquerda"[6]

Em documento elaborado em 1990, o presidente de honra do partido discorre sobre a social democracia, afirmando: [7]

[editar] Eleições municipais de 1988

Apesar de recém constituído e ainda com organização provisória, o PSDB participou da eleição municipal de 15 de novembro de 1988, disputando com candidatos próprios e conseguindo vitórias importantes como em Minas Gerais, onde conquistou a Prefeitura de Belo Horizonte com Pimenta da Veiga, e a de Contagem, com Ademir Lucas Gomes, além de mais 5 prefeituras desse Estado. Ao todo, o PSDB elegeu dezoito prefeitos, sendo sete em Minas Gerais, cinco em São Paulo, três no Espírito Santo, um no Mato Grosso do Sul , um em Pernambuco e um no Rio Grande do Sul. Elegeu, nesses mesmos estados, cerca de 214 vereadores.

[editar] Eleição presidencial de 1989

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O PSDB disputou o primeiro turno da eleição presidencial de 15 de novembro de 1989, tendo o Senador Mário Covas, seu candidato, conquistado o quarto lugar, num total de 22 candidatos, obtendo 11,52 % dos votos válidos, correspondente a 7.790.392 votos, quando o segundo colocado, Luís Inácio Lula da Silva, obteve pouco mais de 11 milhões. No segundo turno, o partido apoiou a candidatura de Lula contra Fernando Collor de Melo.

Ainda sobre os primórdios da eleição de 94, ressalte-se que, ainda na Constituinte de 88, quando o Grupo de Covas não nó no então PMDB e também no Grupo Parlamentarista tinha força, houve a intenção da formaççao da chapa Collor-Covas via grupo majoritário da imprensa televisiva, que já formava a imagem do caçador de marajás em Alagoas. Covas, não obstante, recusou. Ele era o líder da esquerda constituinte em ascenção. Pouco depois, já no governo Collor, recusaria a participação do partido no governo, já acertadada por FHC, que integraria o Ministério das Relações Exteriores e Serra, que seria o Ministro da Fazenda. A reviravolta de Covas, que ameaçou deixar o partido salvou a carreira de ambos, pois o governo Collor foi defenestrado logo depois pelo impedimento decretado pelo Congresso. A história e os desdobramentos veremos a seguir....

[editar] Eleição presidencial de 1994

A caminhada vitoriosa do PSDB rumo à Presidência da República de 1994, segundo o livro A História Real, teria começado bem antes da campanha presidencial propriamente dita. As alianças feitas e desmanchadas anteriormente teriam sido, segundo os autores deste livro, essenciais para o sucesso tucano[8].

Collor e Fernando Henrique mantinham constante diálogo durante o período de Presidência do primeiro, antes do impeachment, apesar da desconfiança[carece de fontes?] do restante do PSDB. Collor, que tinha uma base parlamentar frágil, contava com o apoio do PSDB, e durante todo o seu mandato cortejou os tucanos com cargos e vantagens[carece de fontes?]. O PSDB sempre se manteve afastado do governo Collor[carece de fontes?], temeroso da imagem que tal aliança lhe proporcionaria. Foi só com a ascensão de Itamar Franco (vice de Collor) à Presidência que os tucanos se integraram definitivamente ao governo.

Apesar de toda a rixa que existe atualmente entre PT e PSDB, esses partidos formaram muitas alianças antes da campanha de 1994, quando se separaram definitivamente.

O plebiscito de 21 de Abril mostrou ao País, cinco anos após a Constituinte de 88 que o previra, uma histórica decisão: Monarquia ou República, Parlamentarismo ou Presidencialismo. A Eleição, que poderia ter sido a mais importante foi palanque do batalha que uniu presidencialistas ao grupo do próprio Lula, que, de parlamentarista, silenciou-se..

O dia chave para o PSDB e para Fernando Henrique virarem o jogo da eleição, que parecia certa para Lula, foi 21 de maio de 1993. Antes, o PT exigia o cargo como contra-partida ao Partido no poder. Itamar acenou com outros cargos e recusaram. E o destino quis que Itamar escolhesse FHC... Em oito meses do novo governo, Fernando Henrique era o quarto ministro da Fazenda. A equipe era composta por Edmar Bacha, Pérsio Arida e André Lara Resende, além de Fernando Henrique.

O Plano Real, elaborado principalmente por Edmar Bacha, começou a tomar feições nítidas com a aprovação, pelo Congresso Nacional, do "fundo social de emergência", que daria ao governo liberdade para dispor de 15% a 20% de todo o orçamento da União, às custas da previdência social e de um aumento do imposto de renda sobre a classe média e as empresas. A equipe da Fazenda teria, então, possibilidade de manejar melhor o plano. O fundo de emergência também foi o estopim da aliança PSDB-PFL. Para obter a aprovação do fundo, o PSDB precisou do apoio maciço do PFL, que aquiesceu.

A URV (Unidade de Real Valor), convertida os preços em uma nova unidade que substituiria a nova moeda logo depois, o Real. Era a senha para acostumar o povo a um novo mundo, antes de chegar a moeda de fato e despachar a cultura inflacionária.

Forjou-se a aliança definitiva entre PSDB e PFL, apesar do estranhamento inicial. O PSDB baiano, inimigo à época do PFL do mesmo estado, recusou-se a integrar a união. Outras rusgas surgiram, mas a aliança manteve-se coesa, apesar de tudo. Inicialmente, o PSDB tentou camuflar a aliança, dando o tom de liderança na chapa, mas a ajuda do PFL foi indispensável para a vitória nas eleições. O PFL detinha um imenso curral eleitoral no Nordeste, o que impulsionou a vitória.

[editar] Mandatos presidenciais

Fernando Henrique Cardoso conquistou a Presidência da República, e foi presidente por dois mandatos (de 1995 a 1999 e de 1999 a 2003), havendo, no meio de seu primeiro mandato, apoiado a mudança constitucional que permitia a reeleição para ocupantes de cargos executivos, inclusive ele próprio e todos os governadores em execício. Nesse período, alguns parlamentares que haviam se mantido no PMDB, ou mesmo em outros partidos, mas que haviam sido do antigo MDB ou se encaixavam no perfil socialdemocrata entraram no partido, como os deputados Alberto Goldman e Aloysio Nunes Ferreira.

Ao longo do mandato presidencial tucano, o crescimento da economia brasileira não foi um dos melhores da história. Ocorreram inúmeras privatizações que proporcionaram a modernização de setores antes controlados pelo Estado, como as telecomunicações.

As principais marcas positivas do governo FHC foram o fim da hiperinflação (que antes de seu governo chegou a ter períodos com 6000% ao ano), obtendo-se assim a estabilidade monetária e a criação de programas sociais pioneiros, como o bolsa-escola, o vale-gás e o bolsa-alimentação, posteriormente juntados em um só programa, o Bolsa-Família, pelo governo Lula, além do início da reforma do Estado, com a implementação, por exemplo, do Ministério da Defesa, da Advocacia-Geral da União e da Controladoria Geral da União. Também a implantação da Lei de Responsabilidade Fiscal foi um marco na regulação do uso de verbas públicas em todos os níveis administrativos do país.

Ver artigo principal: Governo FHC

[editar] Eleições gerais de 2002

Um momento ruim para o partido foi, certamente, a derrota na eleição presidencial de 2002, quando seu maior rival, o Partido dos Trabalhadores, cujo candidato era Luiz Inácio Lula da Silva, venceu o pleito sobre José Serra com mais de cinqüenta e dois milhões de votos. Nas eleições estaduais, o PSDB conseguiu manter relativa força, ganhando o governo de importantes estados como São Paulo (terceiro mandato consecutivo), com Geraldo Alckmin, Goiás com Marconi Perillo e Minas Gerais, com Aécio Neves.

[editar] Eleições gerais de 2006

Nas eleições presidenciais de 2006, o PSDB teve seu pior momento quando o ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi derrotado no segundo turno pelo então candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que segundo o TSE obteve a maior votação da história com mais de 58 milhões de votos, sendo reeleito. O ex-prefeito de São Paulo, José Serra, foi vencedor na disputa do governo do estado pelo partido, já no primeiro turno.

O PSDB saiu da eleição brasileira de 2006 com 66 deputados e catorze senadores no Congresso Nacional, além de seis governadores. São eles: José Serra (São Paulo), Aécio Neves (Minas Gerais), Yeda Crusius (Rio Grande do Sul), Teotônio Vilela Filho (Alagoas), Cássio Cunha Lima (Paraíba), José de Anchieta Júnior (Roraima), sendo que o último assumiu o governo após a morte do governador Ottomar Pinto em 2007. O PSDB e o PFL (atual DEM) decidiram continuar sendo oposição ao Governo Lula no atual mandato.

[editar] Atualidade

Pode-se ainda argumentar que, atualmente, o PSDB disputa com o PT a hegemonia política no Brasil. Os partidos políticos restantes, independentemente de seu tamanho, geralmente subordinam suas ações políticas nacionais aos movimentos desses dois partidos[carece de fontes?].

[editar] Identidade visual

Os filiados do PSDB são conhecidos como "tucanos", [9] pois o partido adotou a ave como símbolo. Isto se deu em uma das reuniões preparatórias da formação do PSDB, em Brasília, em abril de 1988, quando a representação de Minas Gerais propôs que houvesse um símbolo para simplificar a identificação do partido e para facilitar sua comunicação com a população, sugerindo, como símbolo, um tucano. Após acalorada discussão, a proposta foi aprovada, pela evidência das razões apresentadas. A figura do tucano tem três importantes significações:

  1. O tucano de peito amarelo lembra a cor da campanha das diretas-já, movimento do qual participaram vários de seus fundadores;
  2. O tucano é um dos símbolos do movimento ecológico e da defesa do meio ambiente, em voga nas décadas de 1980 e 90, o que renderia ao partido uma boa imagem (de modernidade e ligação com temas importantes contemporâneos) frente à opinião pública;
  3. Trata-se de uma ave "brasileira", característica importante para indicar a suposta preocupação do partido com a realidade nacional, ou seja, a de que o partido não entende a social-democracia como uma "fórmula" pronta para ser aplicada no Brasil, um país com realidades distintas dos países da Europa, o berço da ideologia social-democrata. Neste sentido, o tucano procuraria representar o entendimento de que é preciso formar um programa social-democrático que se encaixe e atenda às realidades do Brasil.

[editar] JPSDB

A JPSDB é o secretariado da juventude do PSDB. Está organizado em todos estados brasileiros e nos principais municípios do país. A JPSDB possui um diretor na UNE. Seu atual presidente é o deputado estadual de São Paulo Bruno Covas.

[editar] Presidentes

[editar] Organização nos estados

O PSDB está presente nos 26 estados do Brasil e Distrito Federal.[10]

[editar] Curiosidades

O PSDB foi o primeiro partido político latino-americano a entrar na plataforma de internet 3D Second Life, instalando na ilha SP Jardins um diretório virtual em outubro de 2006[11].

Referências

[editar] Ver também

[editar] Bibliografia

  • Revista Social Democracia Brasileira; São Paulo: Instituto Teotônio Vilela
  • A história real: trama de uma sucessão; ISBN 85 08 04888 2

[editar] Ligações externas

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