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Póvoa de Varzim
Póvoa de Varzim é uma cidade portuguesa do distrito do Porto, Região Norte e sub-região do Grande Porto. Situada numa planície costeira arenosa, a sul do Cabo de Santo André, a meio caminho entre os rios Minho e Douro, é povoada por 2 396 h (2006) na área urbana, num total de 66 216 h (2006). Embora a porção urbanizada esteja alargada, a sul, para Vila do Conde, havendo uns 100 000 habitantes na aglomeração urbana. As primeiras populações fixaram-se no seu território entre quatro a seis mil anos atrás. Por volta de 900 a.C., a instabilidade na região levou à fundação de uma cidade fortificada. O mar sempre teve primazia na sua cultura e economia, primitivamente através do comércio marítimo, depois com a pesca, levando a que adquirisse um foral em 1308 e, consequentemente, tornou-se no principal porto de pesca do Norte de Portugal em pleno século XVIII.[1] Desde os finais do século XIX, devido aos seus extensos areais, tornou-se numa das áreas principais turísticas da região.[2][1] A Póvoa de Varzim é uma das poucas zonas de jogo legal em Portugal e possuiu industrias têxtil e alimentar significativas.[1] A cidade desfruta de uma cozinha piscatória rica e mantém tradições antigas, tais como siglas poveiras ou masseiras.
[editar] HistóriaAchados de ferramentas de pedra acheulenses sugerem que a Póvoa de Varzim é habitada desde o Paleolítico Inferior, por volta de 200 000 a.C. Os primeiros grupos de pastores instalaram-se em todo o litoral da Póvoa de Varzim por volta do IV milénio e os inícios do II milénio a.C. Os seus mortos eram depositados em mamoas, que são os monumentos mais antigos encontrados no município.[3] As pilhagens generalizadas por tribos rivais, levaram a que as populações residentes na planície litoral da Póvoa de Varzim erguessem um povoado fortificado no cume do monte mais próximo do mar. Assim nasceu a Cividade de Terroso que se foi desenvolvendo para se tornar num dos principais povoados da cultura castreja.[4] No seu apogeu, a Cividade teria perto de 12 000 metros quadrados e nela habitavam várias centenas de pessoas. Esta manteve relações comerciais com as civilizações do Mediterrâneo, principalmente durante o domínio cartaginês do sudeste da Península Ibérica.[3] Durante as guerras púnicas, os Romanos tomaram conhecimento da riqueza da região castreja em depósitos de ouro e estanho. Viriato, que liderava as hostes lusitanas, impediu o crescimento da República Romana para o Norte do rio Douro. No entanto, o seu assassinato em 138 a.C. abriu caminho para as legiões romanas. Durante os dois anos seguintes, Decimus Junus Brutus avançou pela região castreja, esmagou os exércitos castrejos e tomou a Cividade de Terroso deixando-a em ruínas e cinzas.[3] A região foi incorporada no Império Romano e totalmente pacificada durante o domínio de César Augusto. O povo castrejo regressou à vida na planície costeira, onde foi criada Villa Euracini, provavelmente por uma família romana homónima.[5] A actividade piscatória desenvolveu-se com a cetariæ, um complexo fabril romano de salga e transformação de pescado, principalmente para a produção de garum, um condimento e afrodisíaco romano à base de molho de peixe. Com a queda do Império Romano, povoações de origem sueva fixaram-se na região. A partir do século IX, pescadores Viking provenientes da Bretanha criaram uma colónia pacífica em Villa Euracini.[6] No século seguinte, dão-se as invasões normandas por todo o noroeste peninsular. Villa Euracini aparece pela primeira vez documentada como vila portuguesa em 26 de Março de 953, durante o domínio da Condessa Mumadona Dias na Era do primeiro Condado Portucalense.[7]Durante a Idade Média, o nome Euracini modificou-se para Uracini, Vracini, Veracini, Verazini, Verazim e, eventualmente, Varazim.[5] A riqueza do mar de Varazim atraiu fidalgos e cavaleiros. A parte Norte pertencia à Ordem dos Hospitalários, chamava-se, por isso, Varazim dos Cavaleiros. A parte sul de Varazim, terra reguengueira, tinha importância piscatória e agrária, e, por causa disso, existiam algumas confrontações pelas rendas derivadas da pesca.[8] Em 1308, o rei D. Dinis passou uma carta de foral, doando o reguengo aos 54 casais de Varazim; estes teriam que fundar um tipo de vila medieval conhecido como Póvoa. Em 1312, D. Dinis doou a vila ao seu filho bastardo Afonso Sanches, senhor de Albuquerque, e este incluiu-a no património do convento de Santa Clara, que acabara de fundar em Vila do Conde.[9] Em 1514, no quadro da reforma dos forais, o rei D. Manuel I concedeu um novo foral à Villa da Povoa de Varzim. A vila ganhou uma casa do concelho, praça pública e pelourinho, e envolveu-se nos descobrimentos portugueses.[7] No século XVII, o negócio da salga de peixe desenvolveu-se bastante, o que leva a que, um século depois, a Póvoa se transforme na maior praça de pescado do norte do país, abastecendo até mesmo as províncias do interior com um batalhão de almocreves. Como resultado, os poveiros ficaram reconhecidos na região como "o povo que mais trabalhava e melhor conhecia o mar".[8] A comunidade floresceu; levando a que seja feita uma provisão régia por D. Maria I, encarregando o Corregedor Francisco de Almada e Mendonça de reestruturar a urbanização da vila que, tornando-a atractiva, lançou um novo potencial de negócio — os banhos de mar.[7] A 27 de Fevereiro de 1892, um naufrágio ao largo da praia, devido a um temporal, teve um forte impacto na comunidade. Naufragaram sete lanchas poveiras levando consigo 105 pescadores.[10] No século XIX, a vila popularizou-se como um destino de Verão e talassoterapia para as classes abastadas das regiões do Porto e do Minho, devido às suas largas praias e o desenvolvimento do lazer e do jogo privado. No final do século contavam-se 17 casinos, normalmente nas portas traseiras de cafés populares.[11] O desenvolvimento das indústrias têxtil, alimentar e turística; a ligação ferroviária ao Porto em 1875; e a sua transformação no destino de férias mais popular do Norte de Portugal, levaram a um grande desenvolvimento entre os anos 30 e 60, o que resultou na atribuição do estatuto de cidade em 16 de Junho de 1973, através do decreto 310/73.[12] Na época contemporânea, a milenar indústria pesqueira acabou por perder muita da sua importância. A Póvoa de Varzim é essencialmente uma cidade de serviços, mas ao contrário de outras zonas peri-urbanas do Grande Porto, não se constituiu como uma cidade-dormitório satélite.[13] De facto, desenvolveu-se e cresceu independentemente, sendo um dos pólos da região Norte, tomou uma feição cosmopolita e serve de centralidade para as localidades vizinhas.[11] [editar] GeografiaOcupando uma área de 82,1 km², a Póvoa de Varzim localiza-se entre os rios Cávado e Ave, ou, de uma forma mais abrangente, a meio caminho entre os rios Minho e Douro, na costa norte de Portugal — a Costa Verde. O município acha-se limitado a Norte pelo concelho de Esposende, a Nordeste por Barcelos, a Leste pelo de Vila Nova de Famalicão e a Sul por Vila do Conde. A poente, tem costa no oceano Atlântico.[14] Vagueando pela costa destaca-se o cabo de Santo André que é, possivelmente, o Promontório Avarus referido por Ptolomeu, geógrafo da Grécia Antiga, no território dos Callaici. As arribas rochosas, comuns desde a foz do Rio Minho, desaparecem na Póvoa de Varzim dando lugar a uma planície litoral e enseadas. A planície é originada a partir de uma antiga plataforma marítima que confere um solo arenoso à terra litoral varzinense, formando-se dunas, principalmente no Norte de Aguçadoura.[15] Na paisagem sobressaem o monte de São Félix (202 metros) e o monte da Cividade (155 m). Apesar da pouca elevação, a predominância da planície faz com que estas elevações sejam pontos de referência evidentes no horizonte. A cadeia montanhosa chamada serra de Rates divide o concelho em duas áreas distintas: a planície litoral dá lugar aos montes, onde as florestas tornam-se mais abundantes e o solo tem menor influência marinha. Nesta paisagem dominada pela planície e colinas de pouca altitude e de declives bastante suaves, apenas a encosta da Corga da Soalheira (150 m), na faixa interior, adquire alguma relevância.[15] A hidrografia do município é muito pouco expressiva em termos de grandes caudais, mas compreende numerosos pequenos cursos de água devido ao relevo da planície litoral. Alguns destes cursos de água são permanentes, sendo o rio Este, um afluente do rio Ave, o maior. O rio do Esteiro nasce na base do monte da Cividade e desagua na praia de Aver-o-Mar e o rio Alto nasce no sopé do Monte de São Félix e atinge o Atlântico na praia do Rio Alto. A terra é bem irrigada, sendo muito comum o aparecimento de fontes e poços, dado que, muitas vezes, o lençol freático está próximo à superfície.[3] As manchas florestais sofrem de uma forte pressão demográfica e da agricultura intensiva. A cobertura florestal é ainda relevante nas paróquias que abraçam a Serra de Rates, cuja flora se distingue pelas carvalheiras, azevinho e carquejeiras. No século XVIII, os monges de Tibães procederam ao plantio de pinhais, que caracterizam a freguesia da Estela. No passado predominava a floresta atlântica, com árvores de médio e grande porte, tais como carvalhos, freixos, aveleiras, medronheiros, azinheiras e amieiros.[3] Os penedos ao longo de toda a costa, que dividem os extensos areais, são verdadeiros viveiros de moluscos, peixes e algas. Os penedos e as dunas são ecossistemas que possuem uma riqueza ecológica importante, mas ameaçados por veraneantes, desportos nas dunas e construções costeiras.[16] [editar] ClimaO clima poveiro é classificado como mediterrânico (Csb pela classificação climática de Köppen) suavizado pelas brisas oceânicas, com verões amenos e invernos suaves.[17] As temperaturas médias oscilam entre os 12,5 e os 15 graus. A cidade possuiu um microclima e é considerada a região menos sujeita a geadas em todo o Norte de Portugal, com quedas de neve extremamente raras, devido aos ventos de Inverno que, normalmente, sopram de Sul e Sudoeste.[3] Ventos do Norte levantam-se, normalmente, no Verão depois do meio-dia e são designados de Nortadas. [3] Esporadicamente, durante o verão seco, uma massa de ar quente e húmido , trazida pelos ventos marítimos do Sul e Oeste, criam o nevoeiro característico da cidade, que cobre apenas a costa, dissipando-se normalmente com o sol da tarde.[18] A precipitação varia entre os 1200 e os 1400 mm anuais.[3] [editar] Morfologia urbana
Vista do Agro-Velho.
No Centro, a Junqueira é uma rua de comércio tradicional.
Localizada na planície litoral e aprisionada entre o mar e a serra, a cidade da Póvoa de Varzim é constituída por onze Partes, que são áreas significativas da cidade com diferenciação popular e topológica. Estes bairros são, por sua vez, parte de três estruturas administrativas formais conhecidas como freguesias: freguesia da Póvoa de Varzim, Aver-o-Mar e Argivai.[19][11] Pelo sul, existe uma continuidade urbana com Vila do Conde, para onde a cidade cresceu no passado.[20] A cidade desenvolveu-se do interior para o litoral a partir do núcleo do Bairro da Matriz, onde ainda restam as ruelas estreitas e tortuosas da Póvoa primitiva do século XIV. Ainda hoje de caracter unifamiliar, encontram-se no bairro construções antigas tais como a casa seiscentista em frente à Igreja Matriz, os antigos Paços do Concelho (século XVII) e os oitocentistas Solar dos Carneiros, Casa do Capitão Leite Ferreira, Casa dos Limas e a Casa Coentrão. A população de pescadores foi concentrada junto à costa sul, em volta da Enseada da Póvoa, e já no século XVIII o Bairro Sul, sector piscatório com ruas estreitas paralelas à costa, encontrava-se razoavelmente desenvolvido.[11] Na margem norte, encontra-se o Bairro Norte, o sector balnear, e tal como o Bairro Sul caracteriza-se pelas ruas paralelas à costa, mas devido ao seu carácter tornou-se bastante urbanizado e o mais populoso.[11] Contíguo a esta área encontra-se o Agro-Velho, também conhecido como Nova Póvoa, a zona da cidade que possui os edifícios mais altos, sendo o maior o Edifício Nova Póvoa, de 29 pisos e 85 metros de altura, construído na década de 1970 e ainda hoje um dos dez edifícios mais altos de Portugal. Muito próximo encontram-se Barreiros e Parque da Cidade, partes da cidade de planeamento mais recente.[11] O Centro é dominado pelo sector dos serviços e pelas movimentadas ruas de comércio tradicional da Junqueira e Avenida Mousinho de Albuquerque. Nesta última concentram-se vários serviços públicos e privados, enquanto que a Praça do Almada, o coração da urbe, é ladeada pelo edifício da Câmara Municipal, departamentos municipais, bancos e outros serviços. No meio da praça, a poente, o Pelourinho manuelino da Póvoa de Varzim, ergido em 1514, é monumento nacional e representa a emancipação municipal da Póvoa de Varzim. No interior da cidade, a Giesteira, de feição rural, originou-se a partir da antiga aldeia da Giesteira que com Argivai constituía outrora o núcleo principal do povoamento antes do século XIV, cujos lavradores participaram na instalação da "póvoa" no litoral. A freguesia de Argivai é dividida ao meio pelo Aqueduto de Santa Clara, um notável aqueduto românico, monumento nacional, que foi construído entre 1626 e 1714. Ainda no interior, os núcleos residenciais da Mariadeira, Regufe, Penalves e Gândara têm desenvolvimento modesto, diferentes topologias e pequenas centralidades, apesar de serem lugares antigos.[21][11] O Bairro de Regufe tem como símbolo o Farol de Regufe, exemplar da arte do ferro do século XIX. Dos vários edifícios religiosos sobressaem a barroca Igreja Matriz e as seis capelas e Igreja de Nossa Senhora das Dores, no Bairro da Matriz e a piscatória Igreja da Lapa, em estilo barroco, no Bairro Sul. [editar] Praias e parquesA Póvoa de Varzim possui 12 km ininterruptos de praias de areia dourada, formando enseadas divididas por rochedos, afamadas por serem águas ricas em iodo. A maioria das praias da cidade são orientadas para a família tais como a Redonda, Salgueira e Lagoa e durante o período estival podem receber multidões, enquanto que aquelas mais afastadas do coração da cidade, como Santo André, têm um ambiente mais recatado. A Salgueira e a Aguçadoura são praias de surf, enquanto que a Verde e a do Quião são praias de encontros. Localizada perto do parque de campismo do Rio Alto, a praia do Rio Alto é frequentemente escolhida por naturistas dado o acesso dificil e a privacidade oferecida pelas dunas de areia.[22] O Parque da Cidade, encontra-se em construção, e quando concluído possuirá 80 hectares, desde a auto-estrada A28 até à lagoa da Pedreira contemplando áreas densamente arborizadas, clareiras, montes artificiais e um novo lago. Tirando partido da área florestada do Parque Ambiental de Rates, o Rates Park é um campo-aventura onde se praticam desportos lúdico-desportivos, arvorismo e passeios a pé, a cavalo, BTT e todo-o-terreno em espaço natural. Severamente danificado pela construção de auto-estradas, o bosque do Anjo deverá futuramente possuir uma área "verde urbana" de acesso com 5,2 hectares.[16][11] [editar] Área rural e suburbanaO anel verde da Póvoa de Varzim é composto pelas freguesias de Aguçadoura, Amorim, Balasar, Beiriz, Estela, Laundos, Navais, Rates e Terroso. Nestas freguesias, para além das povoações principais, existem pequenas aldeias, nomeadamente: Além, Fontainhas, Gandra, Gestrins, Gresufes, Passô, Sejães e Têso. A área rural da Póvoa de Varzim, terra envolta em lendas e história ancestral, é onde se localizam os montes da Póvoa, o Cividade e o São Félix, em Terroso e Laundos, respectivamente. No primeiro monte, localiza-se a tri-milenar Cividade de Terroso, uma das principais urbes da cultura castreja, e no segundo viveria São Félix na Idade Média.[23] Outrora, a população atribuíção lendas, virtudes mágicas e efeitos terrapêuticos a variadas fontes. Fontes terapêuticas relacionadas com São Pedro de Rates localizam-se nas freguesias de Rates e Balazar. Em Navais, a Fonte da Moura Encantada estava associada a Moura - uma divindade pagã feminina da água, guardiã de tesouros encantados.[24] Rates é uma pequena vila histórica que se desenvolveu em volta de um mosteiro fundado em 1100 por Henrique da Borgonha, conde de Portucale, por cima de um templo mais antigo, com evidências estruturais da época da romanização; ganhou importância devido à lenda de São Pedro de Rates, primeiro bispo de Braga, tornando-se num local central no Caminho Português de Santiago.[25] O milenar mosteiro, conhecido como Igreja de São Pedro de Rates, é um dos principais monumentos românicos em Portugal e encontra-se classificado como monumento nacional. Próxima de Rates, a freguesia de Balasar ganhou importância religiosa no século XX ao se tornar lugar de peregrinação devido a Alexandrina, falecida em 1955, a qual ganhou fama de santa,[26] beatificada pelo Papa João Paulo II.[27] As freguesias de Beiriz e Amorim são áreas de transição entre o ambiente urbano e rural dado serem contíguas à cidade. Beiriz é célebre pelos tapetes de Beiriz e Amorim é popular no município pela sua broa típica comida quente — a Broa de Amorim. Navais localiza-se nas terras arenosas do norte do município, a par das freguesias da Estela e Aguçadoura. A Estela é área recretativa e, com Aguçadoura, abastece os mercados metropolitanos de produtos hortícolas.[28] [editar] Cultura e vida contemporânea
Casino da Póvoa e "Grande Hotel" no Passeio Alegre.
A Junqueira é a mais movimentada e tradicional rua de comércio do centro da cidade, bastante próxima a outras artérias comerciais: a Rua 31 de Janeiro e a Avenida Mousinho de Albuquerque. Pontilhada por botiques, a Junqueira é reconhecida pela joalharia; das quais a Ourivesaria Gomes é uma das mais requintadas e históricas do país.[29] A calçada em volta do Passeio Alegre, pela Avenida dos Banhos e pela Avenida dos Descobrimentos, é usada por muitos locais e visitantes para passear junto às praias e descansar nas esplanadas da cidade. A zona em volta do Passeio Alegre é uma área de animação nocturna popular durante o Verão e fins-de-semana. Os jovens poveiros reúnem-se nos bares do largo, mas também de outros locais como o Carvalhido ou da Praia da Lagoa, antes de irem para as discotecas junto à praia, já de madrugada. Ao longo da EN13, que cruza o interior da cidade, encontra-se a maior concentração de restaurantes. Alguns são bastante conhecidos devido a especialidades locais como o marisco, bacalhau, pescada à poveira, frango assado e francesinha. Os hotéis da Póvoa de Varzim encontram-se próximos à zona balnear; entre os quais o Grande Hotel edificado nos anos 30, hoje com a designação de Hotel Mercure, é um edifício modernista de grande impacto. No cume do Monte de São Félix, que para se subir a pé usam-se umas escadarias, existe um hotel e moinhos convertidos em residência turística com vista panorâmica sobre a cidade. [editar] Entretenimento e artes do espectáculoO Casino da Póvoa é uma referência no jogo e entretenimento no Norte desde a década de 1930, onde os jogos e espectáculos têm lugar durante todo o ano. Em 2006, era o segundo casino em lucros, com 54 milhões de euros e o terceiro mais popular com 1,2 milhões de clientes.[30] Em pleno século XIX, a Póvoa de Varzim já no século XIX possuía variadas salas de jogo, tais como o Café Chinês, o Café Suisso, o Café David, o Café Universal e o Luso-Brasileiro. O Salão Chinês, vulgarmente conhecido por "Café Chinês", era o mais carismático e era famoso em todo o país devido à decoração extravagante e por possuir as melhores dançarinas. A tradição teatral poveira, iniciada com o Teatro Garrett (1873), o Teatro Sá da Bandeira (1876) e o Cine-Teatro Garrett (1890),[20] manifesta-se hoje no Auditório Municipal, prevendo-se a reabertura do antigo cine-teatro em 2009. É no Auditório Municipal que coexistem a Escola de Música e o Cineclube Octopus com exibições de cinema de qualidade. o Varazim Teatro é grupo cultural jovem de teatro amador que tem impulsionado a dramatologia local e A Filantrópica, criada em 1935, tem como missão a execução de actividades culturais e apoio à criação artística.[31] Encontros internacionais incluem o Festival de Vídeo Musical, conhecido como VIMUS e o Festival Internacional de Música, um evento erudito criado em 1978 cujas acções distribuem-se por várias valências do município.[32] [editar] MuseusO Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim (1937) é um museu de vocação etnográfica marítima. Dos mais antigos museus etnográficos em Portugal e instalado num solar do século XVIII, destaca-se no acervo do museu a mostra "Siglas Poveiras" que mereceu o prémio "European Museum of The Year Award" de 1980. Contudo, possuiu também arte sacra da primitiva igreja matriz (século XVI), colecção de fianças (séculos XVI ao XIX) e peças arqueológicas como as inscrições romanas de Beiriz.[33] Existem pequenos museus temáticos: o Núcleo Museológico da Igreja Românica de São Pedro de Rates que se dedica à divulgação da história, lenda e arte em redor da Igreja Românica de São Pedro de Rates e o Núcleo Arqueológico da Cividade de Terroso, que serve para apresentação da Cividade de Terroso.[34] Em 2008, a Câmara Municipal prevê abrir mais dois pequenos museus temáticos, o Farol de Regufe e a Casa do Pescador, esta última um retrato verdadeiro de como viviam outrora os pescadores locais.[35] O Ecomuseu de Rates (8km) é um circuito histórico e rural, com várias estações começando na Praça com a Capela Senhor da Praça, o pelourinho e a antiga casa do concelho de Rates, seguindo por fontes ancestrais, moinhos, casas e caminhos rurais. O Arquivo Municipal foi planeado para todos aqueles que se interessam em traçar a sua árvore genealógica ou pesquisar os arquivos da cidade.[36] [editar] Literatura
Estátua de Eça de Queiroz na Praça do Almada."Sou um pobre homem da Póvoa de Varzim" é uma das frases autobiográficas mais célebres de Eça.
Relacionados com a Póvoa de Varzim encontram-se nomes da literatura portuguesa como Almeida Garrett, D. António da Costa, Ramalho Ortigão, João Penha, Oliveira Martins, António Nobre, Antero de Figueiredo, Raul Brandão, Teixeira de Pascoaes, Alexandre Pinheiro Torres e Agustina Bessa-Luís.[37] Camilo Castelo Branco, um dos famosos boémios da Póvoa, escreveu parte da sua obra no antigo Hotel Luso-Brazileiro. O Diana Bar, presentemente uma biblioteca pública de praia, foi ponto de encontro tradicional entre escritores durante os séculos XIX e XX. José Régio escreveu aí grande parte da sua obra.[38] Contudo, a cidade é normalmente lembrada como o local de nascimento de Eça de Queirós, um dos principais escritores em língua portuguesa e destacado romancista europeu. Na época contemporânea, a cidade ganhou projecção literária internacional com as Correntes d'Escritas, um festival literário de escritores de línguas portuguesa e espanhola, que se reúnem para uma variedade de apresentações e na entrega de prémio anual para a melhor obra lançada no último ano.[39] [editar] Comunicação socialO primeiro jornal foi a Gazeta da Póvoa de Varzim, publicado entre 1870 e 1874, a que se seguiram o O Comércio da Póvoa de Varzim (1903), A Voz da Póvoa (1938) e o Póvoa Semanário, este último apareceu na década de 1990. O Póvoa Semanário'» e o A Voz da Póvoa competem entre si e dedicam-se, exclusivamente, à informação local e possuem edições electrónicas. A primeira estação de TV local, Norte Litoral TV - Televisão Oficial da Póvoa de Varzim e Vila do Conde, que reúne vários jornalistas das rádios locais de ambas as localidades conurbadas, iniciou as emissões regulares durante o mês de Junho de 2008, começando pela Internet em nortelitoral.tv, com uma programação que assenta na informação local com um telejornal diário - o Jornal Litoral um magazine semanal com o que aconteceu durante a semana, o restante da grelha é preenchida com programas de conteúdo local ou regional nos campos da cultura, desporto e infanto-juvenis. As estações de rádio local Rádio Mar (89.0) e a Rádio Onda Viva (96.1) emitem em FM e pela Internet. A programação diária das estações de rádio inclui notícias e desporto de âmbito local. A Rádio Onda Viva emite diariamente programação em chinês Mandarim direccionada para a comunidade chinesa. A Rádio Mar e o jornal Póvoa Semanário pertencem ao mesmo grupo, e a mesma empresa fornece ainda serviços informativos às cidades vizinhas de Vila do Conde e Esposende. [editar] DesportoA cidade da Póvoa de Varzim desenvolveu um conjunto de estruturas desportivas (esportivas). Assim, tem incentivado à realização de eventos desportivos e a que 38% da população pratique desporto, um valor superior à média nacional. O desporto mais popular é o futebol. O Estádio Municipal e os campos sintéticos do parque da cidade são hoje o palco maior do campeonato inter-freguesias da Póvoa de Varzim onde os seus 19 clubes de futebol popular competem: Aguçadoura, Amorim, Argivai, Averomar, Balasar, Barreiros, Beiriz, Belém, Estela, Juve Norte, Laundos, Leões da Lapa, Mariadeira, Matriz, Navais, Rates, Regufe, Terroso e Unidos ao Varzim.[40] O Varzim Sport Club é o principal clube de futebol do município e joga no seu próprio estádio adjacente à praia; em 2006 jogava na Liga de Honra, mas por várias vezes atingiu a primeira liga. A natação é o segundo desporto mais comum; praticado na escola ou nos dois complexos de piscinas junto à praia. O Meeting Internacional da Póvoa de Varzim, em piscina de longo curso, é umas provas europeias de Inverno que serve de avaliação para os mundiais em natação pura.[41] O encontro realiza-se no complexo de piscinas municipais pertencente à Varzim Lazer, uma empresa municipal que gere outros equipamentos desportivos que se encontram no norte da cidade: a Academia de Ténis, a Praça de Touros e o Pavilhão Municipal. O segundo é propriedade do Clube Desportivo da Póvoa, um clube que se evidencia, na cidade, pela porção de praticantes em vários desportos: Hóquei em patins, voleibol, basquetebol, automobilismo e atletismo. Nesta última modalidade, o Grande Prémio de São Pedro é uma prova do Calendário Nacional da Federação Portuguesa de Atletismo que se disputa no Verão pelas ruas da cidade,[42] o Grande Prémio da Marginal, pela marginal da área urbana conjunta da Póvoa de Varzim e Vila do Conde realizou-se pela primeira vez em Maio de 2007. Por último, a Meia maratona Cego do Maio, visa a promoção da cidade e deste desporto entre a população. Em ciclismo realiza-se anualmente a Clássica da Primavera no mês de Abril. Desde 2008, o concelho acolhe uma equipa de ciclismo profissional, a LA-MSS, sedeada no Póvoa Cycling Club, criado no final de 2007. O director-desportivo é Manuel Zeferino, vencedor da Volta a Portugal de 1981. Na modalidade mountain bike figuram as provas X BTT Cross Country Monte da Cividade e a Grande Maratona Cidade da Póvoa de Varzim. O Clube de Andebol da Póvoa de Varzim tem-se destacado pela captação de jovens para a prática desportiva, contando com dois escalões de formação, Minis e Juvenis. O plantel sénior disputa a 1ª Divisão da Associação de Andebol do Porto. A marina da Póvoa perto do porto marítimo oferece várias actividades desportivas desenvolvidas pelo Clube Naval Povoense, em especial a vela, a pesca desportiva, bodyboard e surf. Uma das regatas organizadas pelo clube é o Troféu Costa Verde, que liga as cidades da Póvoa de Varzim e Viana do Castelo. A Marina da Póvoa é abrigada e é uma paragem para as embarcações de recreio que estejam a explorar a costa ocidental ibérica. Junto ao Monte de São Félix, o Campo de Tiro de Rates é considerado um dos melhores em Portugal e na Europa, tendo um grande prestígio entre os praticantes nacionais. Existe também um Campo de Golfe do género Links e pista de galgos na Estela. A Monumental Praça de Touros da Póvoa de Varzim é a única praça de touros em actividade no Norte de Portugal. As corridas mais marcantes desta praça são a Grande Corrida TV Norte com tauromaquia de tradição portuguesa no final de Julho e a tradicional Garraiada da Queima das Fitas do Porto com uma corrida alegre e inofensiva entre jovens touros e estudantes universitários no começo de Maio. [editar] FestividadesExistem várias celebrações religiosas ou populares. O feriado municipal é no dia 29 de Junho, dia de São Pedro, o santo pescador. Por esta altura, os bairros são ornamentados; e, na noite de 28 para 29 de Junho, a população reúne-se em festa, dançando e comendo à luz das fogueiras. Os bairros tradicionais competem entre si nas «rusgas» e na criação dos tronos de São Pedro.[43] Durante as festividades, a população comporta-se tal como os apoiantes dos clubes de futebol, e por vezes os mais fanáticos se exaltam na defesa do seu bairro de afeição, mas por norma a competição é salutar, formando uma rusga final conjunta representando a cidade. Famílias, que emigraram para os Estados Unidos e outros países, regressam à Póvoa apenas pela exaltação e o sentimento de comunidade presentes nesta festa. A Segunda-feira depois da Páscoa é tida como o «segundo» feriado municipal. Os poveiros trabalham na Sexta-feira Santa (feriado nacional) para terem a Segunda-feira livre para fazerem um piquenique familiar em conjunto com outras famílias nas bouças — o Dia do Anjo. Empresas sediadas na Póvoa de Varzim seguem esta tradição e estão em funcionamento na Sexta-feira Santa de modo a poderem encerrar na segunda-feira. Em 15 de Agosto realiza-se a Festa de Nossa Senhora da Assunção, uma das maiores deste género em Portugal, cujo ponto mais alto da procissão acontece em frente ao porto de pesca – nessa altura centenas de foguetes são lançados de barcos engalanados.[44] Na última quinzena de Setembro, por altura dos festejos da Nossa Senhora das Dores, decorre a centenária e típica Feira da Louça da Senhora das Dores, com diversas tendas, instaladas no largo junto à Igreja da Senhora das Dores, que comercializam louça diversa, em especial louça tradicional portuguesa.[45] O monte de São Félix é um ponto de referência dos pescadores no mar e de culto antigo. No último Domingo de Maio, a Romaria da Senhora da Saúde percorre uma distância de 7 quilómetros entre a Igreja Matriz e a Capela da Nossa Senhora da Saúde, no sopé do Monte de São Félix. Junto ao cabo de Santo André, existe uma formação rochosa chamada Penedo do Santo, que tem uma marca que os pescadores acreditam ser uma pegada do próprio Santo André. Eles acreditam ainda que este santo é o barqueiro das almas e que liberta as almas daqueles que se afogam no mar, indo pescá-las ao fundo do oceano depois de um naufrágio. A festa de Santo André acontece na madrugada do último dia de Novembro, em que grupos de pessoas, envolvidos em mantos pretos e segurando lampiões, vão até à capela pela praia. [editar] Etnografia
Outrora comum, a Lancha poveira desapareceu na década de 1950.
A expressão local Ala-Arriba! significa "força, para cima!", e era gritada quando se puxava um barco para terra por toda a comunidade, passando a ser vista como o lema da Póvoa de Varzim. Foi Leitão de Barros, com o filme "Ala-Arriba!", cinema do género drama-documental, que popularizou esta comunidade piscatória durante a década de 1940.[46] A cultura poveira tem particularidades muito próprias. O herdeiro da família é o filho mais novo, tal como na na antiga Bretanha e Dinamarca, isto porque era esperado que ele tomasse conta de seus pais quando estes se tornassem idosos.[6] Também, e ao contrário do resto do país, é a mulher que governa a família, este matriarcado radica na ausência do homem que estava normalmente a pescar no mar.[47] A população estava outrora dividida em diferentes "castas": os Lanchões (aqueles que possuíam barcos capazes para a pesca do alto mar, logo mais endinheirados), os Rasqueiros (a "burguesia" piscatória que usava redes "rasca" para pescar raia, lagosta e caranguejos) e os Sardinheiros ou Fanequeiros (os que possuíam pequenos barcos e apenas poderiam apanhar peixe de menor importância ao largo da costa) e, isolados deles, os lavradores (os agricultores). E, por norma, os grupos não se envolviam, os casamentos mistos eram proibidos devido ao isolacionismo dos pescadores.[48][46] As siglas poveiras, com um número restrito de símbolos que eram combinados para formar marcas mais intrincadas, eram usadas como um sistema de comunicação visual rudimentar ou como brasão e marca familiar para assinalar pertences. Os vendedores usavam-nas também no seu livro de conta fiada; os pescadores aplicaram-nas em rituais religiosos esculpindo a sua marca em portas de capelas católicas perto de montes ou praias; na mesa da Igreja Matriz durante o casamento; e tinham ainda importância mágica, tal como a sigla São Selimão, que era vista como um símbolo protector.[49] As siglas são herdadas e aos filhos era dada a mesma marca mas com um traço, chamado de pique. O filho mais novo, o herdeiro, não teria nenhum pique, herdando assim a marca-brasão.[50] As siglas são ainda hoje usadas, de forma cada vez mais ligeira, por algumas famílias; e estão, possivelmente, relacionadas com tradições viking.[49] Dos objectos do quotidiano tradicional poveiro, destaca-se a Lancha Poveira, um barco que se desenvolveu a partir do Drakkar Viking, sem a popa e a ré pronunciadas, com vela mediterrânica. As camisolas poveiras são um traje local com motivos marítimos com o nome do dono bordado em sigla. Criadas com intenção festiva e decorativa, as camisolas foram traje comunitário até 1892, ano em que se deu uma fatalidade no mar, e assim deixou de ser usada como forma de luto, voltando a se popularizar no final da década de 1970. Hoje em dia, tem-se buscado formas para modernizar as camisolas poveiras por um lado e por outro manter os saberes tradicionais, tendo havido estilistas que as apresentaram em desfiles internacionais de moda. Outro artesanato típico são os tapetes de Beiriz que são tapetes rústicos nos quais o padrão do tapete pode ser também visto no lado inverso.[51] Os ingredientes mais tradicionais da culinária local são os produtos hortícolas regionais e o peixe. O peixe para confeccionar os pratos tradicionais é dividido em duas categorias, o peixe "pobre" (sardinha, raia, cavala, cascarra e outros) e o peixe "fino" (tais como pescada, robalo, badejo e melo). O prato local mais famoso é a Pescada à Poveira, cujos ingredientes principais são, para além do peixe que dá o nome ao prato, batatas, ovos e um molho fervido de cebola e tomate. Outros pratos piscatórios incluem o arroz de sardinha, a caldeirada de peixe, lulas recheadas à poveiro, arroz de marisco e lagosta suada. Marisco com concha e iscas, pataniscas e bolinhos de bacalhau fritos são entradas populares de pratos. Outros pratos incluem a feijoada poveira feita com feijão branco e servida com arroz seco; e a francesinha poveira feita em pão cacete que surgiu em 1962 para consumo rápido pelos banhistas.[52] [editar] Demografia
Um habitante da Póvoa de Varzim é conhecido por Poveiro. De acordo com o Censo de 2001, existiam 63 470 habitantes nesse ano, sendo que 38 848 (61,2%) dos quais viviam na cidade. O número sobe para 100 000 quando se considera áreas-satélite envolventes,[11] tornando-a na sétima maior área urbana independente em Portugal, dentro de uma aglomeração policêntrica de cerca de três milhões de pessoas.[53] A área urbana tem uma densidade populacional de 3035 hab./km², enquanto a rural e suburbana têm uma densidade de 355,5 hab./km². As áreas mais afastadas da cidade tendem a ser muito pouco povoadas, tornando-se mais densas quanto mais próximas desta. Durante o Verão a população residente atinge os 200 mil; este movimento sazonal proveniente de cidades vizinhas é motivado pela praia e 29,9% das casas tinham uso sazonal em 2001, o mais alto do Grande Porto.[13] A Póvoa de Varzim é a cidade mais jovem do Grande Porto, com uma taxa de natalidade de 13,665 e de mortalidade de 8,330.[54] Inicialmente uma comunidade semito-normanda na qual o isolamento étnico era prática corrente, a Póvoa de Varzim de hoje é uma cidade cosmopolita, sendo notória a fixação de populações do Vale do Ave no litoral norte da cidade durante o século XX, e onde mais de cem nacionalidades diferentes fixaram residência, sendo os ucranianos, brasileiros, chineses, russos e angolanos as comunidades mais significativas.[55] A população de todo o município cresceu apenas 1% entre 1981 e 1991, acelerando para 15,8% entre 1991 e 2001. Neste período, a população urbana cresceu 23%, com o número de famílias a aumentarem bastante, cerca de 44,5%. A qualidade de vida na cidade, tendo sido notada pelo semanário Expresso como o município mais desenvolvido no distrito do Porto e pelo O Primeiro de Janeiro como o "Município do Futuro" desse mesmo distrito, o desenvolvimento de infra-estruturas e os 15 minutos de distância que separam a cidade do Porto e Braga, tem levado à fixação de novos residentes, provenientes de cidades vizinhas, tais como Guimarães, Famalicão, Porto e Braga e à ascensão do sector imobiliário que poderá duplicar a população residente a médio prazo.[56] Devido à prática da endogamia e ao sistema de castas, a comunidade piscatória da Póvoa manteve características étnicas próprias. Numa pesquisa publicada em «O poveiro» em 1908, o antropólogo Fonseca Cardoso considerou que um elemento antropológico dolicocéfalo, de nariz aquilino, era de origem semito-fenícia.[57] Dados antropológicos e culturais indicam a colonização de pescadores nórdicos durante a fase do repovoamento do litoral.[6] No livro The Races of Europe, os poveiros nativos eram relatados como sendo ligeiramente mais loiros que o comum, tendo caras largas de origem desconhecida e queixos robustos.[58] Por outro lado, a população do interior era agrícola e de carácter galego, português típico do norte, de menor estatura e de cabelo mais escuro. Outros povos que merecerão referência são o povo castrejo (de origem mista celta e pré-celta), romanos e suevos. A emigração poveira ocorreu essencialmente durante os séculos XIX e XX. De notar que os poveiros tendiam a formar associações próprias nos países de acolhimento, existindo casas de poveiros no Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo), Germiston na África do Sul e Toronto no Canadá. No Rio de Janeiro, a comunidade era conhecida por não querer pessoas de outras origens, inclusive portugueses nascidos em outras localidades, dentro da sua comunidade. Durante a emigração no século XX, muitos poveiros emigrados no Brasil regressaram, muitas vezes por recusarem perder a nacionalidade portuguesa.[59] Devido a movimentações nas classes piscatórias, as áreas piscatórias de Vila do Conde, Esposende e Matosinhos sofrem uma forte influência cultural poveira. [editar] Vida económicaA economia da Póvoa de Varzim é dirigida pelo turismo (nomeadamente o jogo, hotéis e restaurantes), indústria têxtil, construção, pesca e agricultura. Durante o censo de 2001, 1770 empresas tinham sede na Póvoa de Varzim, das quais 2,82% eram do sector primário, 33,73% do secundário e 63,45% do terciário. Apesar do seu peso no comércio internacional do Grande Porto ser fraco, em 2004 representava 1,1% das saídas e 0,9% das entradas, a taxa de cobertura das chegadas em relação às saídas ultrapassava os cem por cento.[54] A taxa de actividade cresceu de 48% para 51,1% entre 1991 e 2001,[11] mas 3353 cidadãos encontravam-se desempregados em Junho de 2006.[60] A Póvoa de Varzim é notada internacionalmente pela sua indústria de energias renováveis. O primeiro parque comercial da energia das ondas no mundo encontra-se localizado na sua costa,[61] no Parque de Ondas de Aguçadoura. O parque de ondas usa três máquinas Pelamis P-750 com capacidade de gerar 2,25 megawatts, suficiente para as necessidades de 1500 casas portuguesas.[62] A sustentabilidade energética está prevista com a expansão do parque de ondas para 28 máquinas capazes de produzir 24 mW, fornecendo 250 mil habitantes, 10% dessa energia, capaz de fornecer um terço da população do município, será oferecida à cidade.[63][64] A Energie, uma empresa com sede na Póvoa de Varzim, deselvolveu um sistema solar termodinâmico com uma bomba de calor para gerar energia mesmo durante a noite ou com céu nublado; o sucesso desta tecnologia internacionalmente levou a que a empresa abrisse uma nova grande fábrica, que começou a operar em 2007.[65] O facto de ser uma cidade banhada pelo oceano Atlântico moldou a economia da Póvoa de Varzim: a indústria piscatória, quer através do pescado que chega diariamente ao porto de Pesca da Póvoa de Varzim para o fabrico de conservas e para venda no mercado de pesca da cidade, a agricultura nas dunas, a apanha de sargaço para fertilizar os campos e o turismo são o resultado da sua geografia. O turismo e a indústria derivada são bem mais relevantes na economia poveira dos dias de hoje, dado que a pesca e a sua indústria têm perdido muita importância. No entanto, o valor médio do peixe descarregado no seu porto de pesca, em 2004, era quase três vezes superior ao do porto de Matosinhos e significativamente superior em termos de capacidade média dos barcos. A sua produtividade pesqueira era também comparativamente superior que a média nacional.[54] A Monte Adriano, a sétima maior empresa do sector da construção em Portugal,[66] e a joint-venture entre a Royal Lankhorst Euronete e a Quintas & Quintas, produtora de cordas de amarração para águas profundas, são duas empresas baseadas na cidade.[67] A industria é um importante empregador, nomeadamente na indústria textil que apresenta baixa produtividade e rendimentos. Estas indústrias estão localizadas fora da cidade em Beiriz, Balasar e Rates. Há ainda a referir a indústria artesanal de mantas de Terroso e Laundos, e a indústria da madeira em Rates. As zonas industriais, Parque Industrial de Laundos e Zona Industrial de Amorim, encontram-se articuladas com a auto-estrada A28 na periferia da cidade.[68] Apesar da sua escassa dimensão, o concelho é mesmo um dos principais centros alimentares que abastece o Grande Porto e é parte da antiga região vinícola do Vinho Verde. A população costeira desenvolveu os campos masseira. A técnica masseira aumenta a rentabilidade agrícola usando grandes depressões rectangulares escavadas nas dunas, com a areia retirada amontoada em bancos que circundam a depressão. São cultivadas vinhas nos bancos a Sul, Este e Oeste, e árvores e arbustos na inclinação Norte agindo como quebra-ventos contra a Nortada que é o vento dominante na região. São cultivados produtos hortícolas na depressão central, sendo necessárias grandes quantidades de água doce e sargaço para fertilização para que o que é cultivado medre.[69] A produção é ainda especializada na horticultura, mas a maioria das masseiras foram substituídas por estufas. Por outro lado, a região interior dedica-se à produção de leite. O Centro Empresarial da Agros da Lactogal, a maior produtora de leite e derivados em Portugal, está em construção e será a sede da empresa e incluirá vários departamentos tais como parque de exposições e laboratórios, tornando-se assim no maior projecto agrícola em curso no Norte de Portugal.[70] [editar] Administração municipal
O município da Póvoa de Varzim é administrado por uma Câmara Municipal composta por nove vereadores. Existe uma Assembleia Municipal que é o órgão legislativo do município, constituída por 39 deputados, doze dos quais são presidentes das juntas de freguesia. Depois das eleições autárquicas de 2005, seis vereadores são do Partido Social Democrata e os restantes três do Partido Socialista. O presidente da Câmara da Póvoa de Varzim é Macedo Vieira, pelo PSD, que foi reconduzido para o cargo com 54,21% dos votos. A maioria das cadeiras da assembleia municipal e das juntas de freguesias são também dominadas pelo PSD. Desde as primeiras eleições livres com o fim do período do Estado Novo, que apenas partidos de direita dominam o município, a câmara foi governada pelo CDS entre 1976 e 1989 e desde então pelo PSD. O CDS viu a sua popularidade ter um declínio abrupto em 1997, passando desde esta altura a ser a terceira força política. Pelo contrário, o PSD conheceu nesse mesmo ano a sua primeira maioria absoluta com 62,4% dos votos. A Póvoa de Varzim é a área urbana mais a norte a integrar a Área Metropolitana do Porto, estando a cerca de 27 quilómetros do centro do Porto. Para além de estar incluída na metrópole nortenha, a Póvoa de Varzim faz também parte da Associação de Municípios do Vale do Ave. No contexto europeu, a Póvoa de Varzim está geminada desde 1986 com a cidade de Montgeron em França, desde 1998 com Eschborn na Alemanha e, desde 2001, com Żabbar em Malta. Pela sua acção neste campo recebeu as Estrelas D'Ouro das Geminações de Cidades de 1995 e 2005 pela Comissão Europeia.[71] Entre 1308 e 1836, o concelho era constituído apenas pela sede, cujo território foi sendo dilatado de forma a se aproximar do que se acreditava ser o território de Villa Euracini.[21] Com a reforma administrativa do território em 1836, a Póvoa de Varzim anexou o concelho de Rates, recuperou as restantes terras da paróquia de Argivai, e adquiriu Balasar, Estela, | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||