Mapuche

Mapuche
Lloncon, líder mapuche no ano de 1890
População total

900.000 pessoas

Regiões com população significativa
Centro-Sul do Chile
Argentina
Línguas
Mapudungun, espanhol
Religiões
Xamanismo mapuche e cristianismo (predominantemente católico)
Grupos étnicos relacionados
Pehuenche, huilliche, picunche

Os mapuches (na língua mapudungun, gente da terra) são um povo indígena da região centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina. São conhecidos também como araucanos, denominação que caiu em desuso na contemporaneidade e que é desprezada por esta etnia[1] e que no entanto, predomina na historiografia por um longo período que abarca os primeiros contatos com os espanhóis até meados do século XIX.

Os grupos localizados entre os rios Biobío e o Toltén conseguiram resistir com êxito aos conquistadores espanhóis na chamada Guerra de Arauco, uma série de batalhas que durou 300 anos, com largos períodos de trégua. A coroa de Espanha reconheceu a autonomia destes territórios até que, várias décadas depois, foram invadidos pelos estados chileno e argentinos que estabeleceram uma série de "reduções" (Chile) e "reservas (Argentina) onde muitos mapuches foram confinados. A populações mapuches do século XXI é geralmente urbana, mas mantém vínculos com suas comunidades de origem e subsistem suas reinvidicações por território e reconhecimento de suas especificidades culturais.

Índice

[editar] Etimologia

Fotografia de 1897, tirada pelo geógrafo Hans Steffen
Fotografia de 1897, tirada pelo geógrafo Hans Steffen

A denominação mapuche ou mapunche significa gente da terra em sua lengua, como alusão às pessoas que reconhecem sua pertença e integração a um território. Em algumas regiões, ambos os termos são utilizados com pequenas diferenças de significado.

Especula-se que o nome araucano proceda da palavra quechua awqa, "inimigo", "selvagem" ou "rebelde", ou de palqu, "silvestre", esta teria sido lhes dada pelos incas ou pelos espanhóis, e segundo os crônistas, os incas denominavam à população que habitava o sul do rio Choapa de purumauca; e os espanhóis só adotaram a denominação auca para se referir a ela.[2] Da mesma forma postula-se que não sendo uma palavra quechua, o termo poderia ser uma derivação da palavra mapuche Ragko ("água ruidosa") castelhanizada, que os conquistadores haviam utilizado para os habitantes de um lugar com este nome e que logo havia se estendido a todos os povos restantes daquela região.

Os mapuches repudiam o uso do nome araucano, uma vez que esta denominação lhes foi outorgada por seus inimigos. A palavra awka foi adotada pelos mapuches com o significado de "indômito", "selvagem"[3] o "bravo"[4] e eles próprios posteriormente também utilizaram este mesmo termo em referência aos tehuelches.

Até o século XVIII, também existiam entre os integrantes desta etnia a autodenominação reche (homem verdadeiro).[5]

[editar] Origem e migração

Mulheres mapuches
Mulheres mapuches

A origem dos mapuches não é com muita certeza conhecida; por muito tempo a teoria mais conhecida foi a postulada por Ricardo E. Latcham, que afirmava que os mapuches eram originários do atual território argentino e que através de um longo processo de migração, se introduziram como um grupo étnico e cultural distinto entre os picunche e os huilliche, se instalando definitivamente entre os rios Bíobío e Toltén. Até poucos anos a teoria de Latcham parecia não merecer objeções. Porém atualmente está novamente sendo objeto de discussões; e posteriormente foi proposto que derivam de um povoamento mais antigo. Esta última teoria chamada "Teoria autoctonista" pelos especialistas tornou-se muito popular por postular a origem mapuche enquanto grupo étnico no próprio estado chileno.

Sobre sua presença no território Argentino, se sabe com mais certeza que, posteriormente, devido à pressão exercida pelos espanhois, num largo processo de migração através das passagens das cordilheira dos Andes e de transmissão cultural, entre os séculos XVIII e XIX colonizaram os territórios próximos às Cordilheira: o Comahue, grande parte da região pampeana, e o norte da Patagônia oriental, terras até então ocupadas por diversos povos não-mapuches. Muitos destes povos foram mapuchizados (e não necessariamente sempre de forma pacífica) os "pehuenches antigos" e as parcialidades setentrionais dos tehuelches.

[editar] Localização e Distribuição

[editar] No Chile

Segundo o censo do Chile de 2002, existem 604.349 mapuches, aproximadamente uns 4% da população total. Representam os 87,3% da população original, estão localizados principalmente nas zonas rurais da região IX, assim como grupos importantes na região X e região metropolitana de Santiago.

O censo de 1992 havia registrado 932.000 mapuches. Esta grande redução de uns 30% da população mapuche em uma década tenta-se se explicar com diversos argumentos, Há aqueles que sustentam que se trata de um genocídio aberto, aqueles que sustentam que se trata de um genocídio burocrático com o fim de deslegitimar as petições indígenas , há até aqueles que sustentam que se trata de um problema estatístico relacionado com as mudanças das perguntas sem conseqüências sócio-políticas. Não Obstante, a lógica desta diminuição é a grande imigração destes para grandes centros urbanos, entre os que se destacam Temuco, Talca, Concepción e Santiago.

[editar] Na Argentina

Localização de mapuches em território da atual Argentina e Chile.
Localização de mapuches em território da atual Argentina e Chile.

A partir da Pesquisa Complementar dos Povos Indígenas (APCPI – em espanhol ECPI) 20042005 foi finalizada pelo estado argentino através do Istituto Nacional de Estatística e Censos se calculou quase 105.000 pessoas pertencentes ou descendentes em primeira geração do povo mapuche. A grande maioria os 73% vive nas províncias de Chubut, Neuquén e Rio Negro.

Durante a preparação do censo argentino de 2001 alguns representantes do povo mapuche fizeram críticas sobre seu projeto e sua execução por não garantir uma participação adequada dos povos nativos, para criar o estereótipo do "indígena", subestimar a migração mapuche feita nas cidades e apoiar-se em funcionários que não cumpriram com os compromissos jurídicos e políticos. A Comissão Juristas Indígenas na Argentina (CJIA) apresentou um recurso de amparo no que solicitava a postergação do Censo de 2001 argentino, alegando que não havia tido participação nas condições estabelecidas pelo Convenio 169 de OIT e no artigo 75, parágrafo 17, da Constituição Nacional.

A controversa chegou a desencadear uma invasão nas instalações do Instituto Nacional de Assuntos Indígenas (INAI), por arte dos representantes dos povos nativos. Ao finalizar o Censo de 2001, em algumas províncias houve participações diretas de cientistas e capacitadores indígenas. Não obstante, muitos negam sua veracidade. Contrariando as cifras do INDEC, uma publicação oficial do governo argentino informa que existem 200.000 membros mapuches vivendo em seu território. Outras fontes não oficiais falam em 90.000 e 200.000. A própria comunidade mapuche difere muito do censo realizado por o INDEC e estima-se que a população mapuche na Argentina é de 500.000 pessoas. A crítica mapuche sobre a metodologia do censo foi similar a que se realizou contra o governo chileno.

Existe uma comunidade mapuche semiaculturada descendente do boroano Ignácio Coliqueo, dentro da província de Buenos Aires no Partido do General Viamante (os toldos) e no partido do Rojas, a 280 e 220 km ao oeste de Buenos Aires respectivamente. E já não praticam rogativa e só alguns falam mapudungun, não obstante, começaram um processo de recuperação de suas raízes mapuches e uma das três escolas primárias da comunidade ensina o idioma mapuche.

A Confraternização Mapuche Neuquina, criada em 1970 agrupa as comunidades rurais mapuches da Província do Nenquén, suas autoridades são eleitas em um “trahun” (parlamento) há cada dois anos.

Perticularmente importante é sua presença no Parque Nacional Lanín, onde haviam entre 2.500 a 3.000 mapuches em sete comunidades, em territórios que eles consideram como próprios, (Aigo, Lefimán, Ñorquinko, Cañicul, Raquithue, Curruhuiinca e Cayún) ocupando uns 24.000 há.

Lista de comunidades rurais mapuches neuquinas existentes em 2003 (via um mapa das Comunidades do Neuquén)

(*) comunidades de constituição recente.

A Provincia do Rio Negro, as comunidades mapuches se agrupam na Coordenadora do Parlamento do povo mapuche do Rio Negro, existindo ao final de 2002 as seguintes comunidades rurais e urbanas: Cañumil; Anekon Grande; Cerro Bandera (Quimey Piuke Mapuche); Quiñe Lemu (Los Repollos); Wri Trai; Tripay Antu; Ranquehue; Monguel Mamuell; Pehuenche (Arroyo Los Berros); Makunchao; Centro Mapuche Bariloche; Trenque Tuaiñ; San Antonio; Los Menucos; Putren Tuli Mahuida; Ngpun Kurrha; Peñi Mapu; Cerro Mesa-Anekon Chico; Lof Antual; Wefu Wechu (Cerro Alto); Cañadon Chileno; Lof Painefil; Cai – Viedma; Fiske Menuco; Kume Mapu; Aguada de Guerra; Tekel Mapu; Carri Lafquen Chico Maquinchao; Laguna Blanca; Rio Chico; Yuquiche; Sierra Colorada.

[editar] Língua

Os mapuches falam língua ameríndia da família penutiana, falada na região central do Chile e no Norte da Argentina, também chamada de araucânio ou Mapudungun.

[editar] Ligações externas


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