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História dos jardins botânicosExistem três aspirações que desde sempre estimularam o homem a viajar para longe: ouro, especiarias e drogas. São estas últimas duas necessidades universais do homem que remontam à origem e fundação dos Jardins Botânicos. O valor das especiarias levou à fundação de vários Jardins Botânicos nos trópicos, enquanto que a necessidade de drogas deve ser atribuída aos Jardins Botânicos mais antigos da Europa. O Jardim mais antigo de que se conhece representação é o Royal Garden of Thotmes III ( c 1000 a.c.), que foi idealizado por Nekht, chefe-jardineiro do Jardins ligados ao templo de Karnak. Apesar da beleza destes Jardins, pensa-se que a sua importância se deve a motivos económicos. No entanto, pode-se considerar que os Chineses foram os verdadeiros inventores do conceito de Jardim Botânico, uma vez que se comprova que os colectores de plantas eram enviados para partes longínquas e as plantas que traziam consigo eram cultivadas pelo seu valor económico e medicinal. Supõe-se que o mítico Imperador Shen Nung (c. séc. 28 a.c.) testou as qualidades médicas das plantas e com estas a cura de doenças. Se este facto for correcto, é uma repetição da história que levou à fundação dos Jardins Monásticos do séc IX. A Idade Média é por muitos considerada como a idade das trevas, no que também diz respeito ao avanço do conhecimento científico. No entanto, e no que diz respeito às ciências biológicas, verificaram-se alguns pequenos avanços. Muitos estudiosos de medicina começam a orientar o seu trabalho também para a área da botânica. Durante o século XIII, Alberto Magno escreveu De Vegetabilis et Plantis e De animalibus. Este autor deu especial relevância à reprodução e sexualidade das plantas e animais. Tal como Roger Bacon, seu contemporâneo, Alberto Magno estudou intensivamente a natureza, utilizando de modo intensivo o método experimental. Em termos do estudo da botânica, os seus trabalhos são comparáveis, em importância aos de Teofrasto. A flora local até agora desconhecida e o aparecimento de novas espécies de plantas torna-se objecto de estudo. O interesse pela representação fiel das plantas medicinais introduziu um novo conceito de literatura. A Matéria Médica de Dioscórides foi a principal fonte de informação do séc. I até ao séc. XVII e a fonte inspiradora do Renascimento. Otto Brunfels (1489-1534) escreve o primeiro Herbarum vivae eicones, no qual descreve as plantas e inclui a sua representação. Leonhart Fuchs, contemporâneo de Otto Brunfels, escreve De historia stirpium, descrevendo e ilustrando cerca de meio milhar de plantas pertencentes à flora alemã. Na Europa, o estudo da obra de Dioscórides suscitou o mesmo interesse que para Otto Brunfels e Leonhart Fuchs, pelo que em Inglaterra William Turner (1508-1568) e John Gerard(1545-1612) escreveram obras sobre botânica. Também os franceses Mathieude l’Obel (1538-1616) e Jacques Daléchamps (1513-1588) fizeram o seu contributo para o aparecimento de obras sobre botânica. Com este movimento, todos os ingredientes necessários para o crescimento da importância da botânica estavam reunidos. O surgimento de jardins botânicos e disciplinas universitárias dedicadas ao seu ensino foi uma consequência natural deste movimento. Em 1533, na cidade de Pádua, surge o primeiro professor de botânica e a primeira disciplina de botânica - Lectura Simplicium. Segue-se um fluorescimento de Jardins Botânicos. Os Jardins Botânicos mais famosos foram os de Pisa, Pádua, Bolonha, Leiden, Leipzig, Basle, Montpellier e Paris. Como mencionado anteriormente, estes jardins botânicos, denominados hortus medicus, hortus academicus ou jardins de plantas medicinais, surgiram com o objectivo de auxiliarem o ensino da matéria médica e de fornecerem as boticas. Com a expansão geográfica europeia eles foram utilizados para o estudo botânico das novas espécies vegetais exóticas. A sua importância foi notória por permitirem o estudo e fornecimento das farmácias em espécies locais devidamente controladas, e posteriormente o estudo e aclimatação de espécies exóticas provenientes do novo mundo. No entanto, por razões sazonais ou geográficas, era impossível ter as plantas vivas para serem estudadas. Para fazer face a este problema, tornou-se corrente o recurso à herborização, uma técnica conhecida desde o século XIV, mas difundida a partir do Orto dei Simplici de Pisa desde a década de 1530, como o nome de hortus siccus. A evolução dos Jardins Botânicos e a evolução dos Herbários foi simultânea e inseparável. A necessidade de estudar a flora natural acompanhou a evolução das técnicas de herborização e a colecção das espécies em Herbário, numa primeira fase sob a forma de livro com indicações terapêuticas e numa fase mais recente sob a forma organizada de espécies de plantas devidamente descritas e conservadas, que por sua vez levou a uma constante preocupação em obter espécies de plantas vivas que pudessem ser observadas durante todo o ano e por isso mantidas e cultivadas em Jardim.
CronologiaSéculo XVI
Século XVII
Século XVIII
Século XIX
Jardins botânicos históricosJardins botânicos fundados até 1900. Ver também: Lista de Jardins Botânicos AlemanhaGöttingenHeidelbergDinamarcaCopenhagaFrançaMontpellierParisGrã-BretanhaLondresOxfordHolandaLeiden
ItáliaFlorençaPáduaPalermoPisaPortugalCoimbraLisboaSuéciaUppsala
Bibliografia
da Farmacologia e da Terapêutica, versão 0.8.1. |