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Críticas ao espiritismo
Críticas ao Espiritismo é um artigo que versa sobre controvérsias existentes no movimento espírita e pretende explicar o porquê de elas existirem. Além disso, trata de controvérsias existentes entre adeptos da Doutrina Espírita (críticas favoráveis) e adeptos de outros sistemas de crenças (críticas contrárias).
Para se ter acesso às fontes dos argumentos citados pela crítica, tanto contrária quanto favorável, basta consultar as obras citadas na seção Bibliografia.
[editar] Controvérsias no Movimento Espírita
Seguem alguns exemplos de controvérsias existentes no movimento espírita:
- Questionamento: Uma das características marcantes do Espiritismo é a inexistência de dogmas, o que equivale a dizer que ele é uma doutrina dinâmica que pode e deve evoluir à medida que a ciência humana evolui. No meio espírita não há nenhum órgão destinado a autorizar a publicação de livros nem a investigar o comportamento dos espíritas com o objetivo de censurá-los ou puni-los. Logo, a existência de controvérsias no movimento espírita é um fato absolutamente natural e compreensível, posto que cada pessoa é, segundo o Espiritismo, um espírito em um nível evolutivo específico.
- Comentário: Dogma, por definição é o fundamento de uma doutrina, que não precisa ser provado, mas é incontestavelmente aceito pelos seus adeptos. O dogma do espíritismo esta justamente na crença inabalável na exisência de um suposto plano espiritual, na existência de espíritos, na reencarnação, na herança reencarnatória de expiações, na evolução do espírito e na vida após a morte em si. Afirmações estas que não possuem provas reconhecidas pela ciência moderna, se não "fundamentadas" somente pela convicção dos adeptos. A confirmação de que a doutrina espírita possui dogmas, está na ausência total de passagens nas próprias codificações que questionam a possibilidade por mais remota de que o contexto espiritual "revelado" seja inverídico, e também dos próprios adeptos que de forma alguma questionam tal suposta verdade.
- Comentário sobre o comentário: O comentário acima é inexato, porque parte do pressuposto de que os espíritas simplesmente crêem inabalavelmente na existência do plano espiritual. Isso é inverídico, podendo verificar-se nos próprios escritos de Kardec que ele rechaça qualquer crença que não seja baseada na razão e na observação. O próprio Kardec, no início de seu contato com os espíritos, partiu do pressuposto de que não há provas que tal plano não exista, e não as há até hoje. Portanto, se não há provas que ele não exista, não pode ser considerada fé inabalável a crença que os espíritas têm que ele, de fato, exista. No livro O Que é o Espiritismo, Kardec diz: "A questão está em saber se os Espíritos se manifestam ou não; ora, isso não pode ser tachado de superstição, antes de ficar provado que não existem espíritos." Nesse mesmo livro, ele diz: "Eis o raciocínio que eu fazia: "Dizem que seres invisíveis se comunicam: por que negá-lo? Antes de inventar-se o microscópio, suspeitava alguém que existissem esses milhares de animáculos, que causam tantos estragos ao organismo?", ao que seu visitante (que não acredita no Espiritismo), responde: "Sem dúvida, mas por ser uma coisa possível, não devemos concluir que exista." E Kardec termina: "Resta, pois, que a observação dos fatos venha demonstrar-nos a sua existência." E a observação dos fatos, até hoje, demonstra a existência de espíritos, enquanto sua observação nunca demonstrou a não-existência. Não há, portanto, dogmas no Espiritismo.
- Questionamento: Segundo Allan Kardec, todos os espíritos têm que passar pelas provações da vida corporal, o que equivale a dizer que pela vontade de Deus, todos somos obrigados a passar por experiências que podem trazer sofrimento.
- Comentário: Argumenta-se que Deus nos fez simples e ignorantes dando-nos o livre-arbítrio e inscrevendo suas leis em nossa consciência. Se sofremos, a responsabilidade é totalmente nossa. O Espiritismo se propõe a explicar o porquê do sofrimento e nos ensina a como evitá-lo no futuro, coisa que nem todas as religiões fazem. O problema deste argumento, é que o simples fato de um espírito ser criado sem ao menos ser consultado (por mais estranha que pareça a colocaçã) se queria realmente passar por todo esse processo infindável de evolução criado por Deus, por si só ja é uma obriação, e não um livre arbítrio. Não existe, "teoricamente" espírito que evolua sem passar por tais experiências e provações. Não ha como qualquer espírito "simples e ignorante" fazer outro caminho pelo que seria um real livre arbítrio. Ele é obrigado a executar a maratona praticamente infinita de reencarnações e sofrimentos. Assim, mais uma vez o "livre arbítrio" é posto em cheque.
- Comentário sobre o comentário: O Espiritismo não ensina como evitar sofrimento algum, seja em futuro, passado ou presente. Um espírito não é encarnado ("criado", como disse acima o comentário) sem ao menos ser consultado, ao contrário do dito. O próprio espírito, anteriormente à sua encarnação, é que escolhe os percalços, já que ele que terá que os ultrapassar. Conforme for ultrapassando, vai como que se elevando entre os espíritos (quando desencarnado, logicamente).
- Questionamento: Para Allan Kardec, a mudança de sexo nas diferentes encarnações favorece o desenvolvimento espiritual, já para o escritor espírita Léon Denis essa mudança poderia criar problemas.
- Comentário: Léon Denis manifestou a sua opinião em que todos temos o direito de fazer e somos incentivados a tal. Cabe observar, no entanto, que ele, em nenhum momento, afirmou estar fazendo uma revisão da Codificação. Com respeito à essência da questão, basta se observar as características biológicas e as responsabilidades sociais de cada sexo para se constatar que um espírito somente terá passado por todas as experiências possíveis em nosso mundo se tiver tido diversas existências em cada um dos dois sexos.
- Comentário sobre o comentário: Certamente. O próprio Kardec dizia que o Espiritismo era uma ciência em construção e nunca tomou por incontestável nenhuma das coisas que ele próprio disse, desejando apenas que, se lhe fossem questionar, que o fizessem através de provas e da razão. Em "O Principiante Espírita", Kardec escreve: "Convidamos os adversários do Espiritismo e os que não admitem a reencarnação, a darem dos problemas acima apresentados uma solução mias lógica, por outro princípio que não seja o da pluralidade das existências."
- Questionamento: Kardec escreveu alguns trechos racistas e etnocentristas e equivocou-se em "A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo" no argumento que usou para criticar a Astrologia.
- Comentário: Argumenta-se que quando Kardec emite uma opinião própria isso fica claro na Codificação, não devendo ser confundida a mesma com a opinião universal e concordante dos espíritos superiores. Kardec manifestou um entendimento compatível com a época em que viveu. Na França, como em todos os países da Europa de então, prevaleciam opiniões eurocêntricas que desvalorizavam outros povos por ignorância que tinham quanto aos costumes e crenças dos mesmos. Aliás, quem se der ao trabalho de ler a introdução de "A Gênese, os milagres e as predições segundo o Espiritismo", verá que Kardec enfatiza a necessidade de se distinguir na obra o que é opinião pessoal deste ou daquele espírito (encarnado ou não) do que é o ensino coletivo dos espíritos. O grande problema desse argumento, é que desta forma é possível se questionar a própria competência (ou falta dela) de Kardec para criar uma nova doutrina, sendo que teria se deixado levar pela ideologia da época, ao invés de emitir uma informação imparcial de suas supostas revelações.
- Comentário sobre o comentário: Esse último argumento é falho, já que o Espiritismo não versa sobre assuntos que fossem inerentes à ideologia da época, sendo tais assuntos vistos por Kardec como cidadão, não através do contato com espíritos.
- Questionamento: Há contradições de fontes muito respeitadas no movimento espírita em informações consideradas mediúnicas sobre assuntos como vida no planeta Marte, possibilidade de remuneração de médiuns (possibilidade oficialmente já descartada e que só ocorreu na França nos primeiros anos do Espiritismo), fatos da vida de Jesus, traduções da biblia, corpo fluídico de Jesus, roustainguismo, etc.
- Comentário: O Movimento Espírita é feito pelos homens e não pelos espíritos. Logo, nada mais natural que haja contradições dentro do movimento. O grande problema disso, é o fato de essa discordancia colocar em questionamento justamente pontos importantes: Se as informações dadas pelos homens não são totalmente confiáveis devido as contradições, a própria declaração da existência do contexto espiritual também passa a ser questionável. Outra implicação, é que em doutrina baseada em uma suposta "revelação", a transformação de informações é algo que põe em cheque as próprias revelações. Se os espíritos revelaram um suposto fato, então este fato não pode ser alterado por pesquisadores futuros, pois do contrário, algo errado havia com a suposta revelação. Isso é diferente do que acontece na metodologia científica, que não é revelada, mas sim descoberta, testada e retestada, assim como analizada por diversos pesquisadores independentes até confirmarem determinada conclusão.
- Comentário 2: É interessante lembrar que as leis que compõem a mecânica clássica de Newton foram descobertas, testadas e retestadas, assim como analizadas por diversos pesquisadores independentes até confirmarem que eram, de fato, inequivocamente, leis naturais inegáveis e "absolutas"; entretanto, ao alcançar as profundezas subatômicas e a imensidão cósmica do espaço sideral, a mecânica clássica se mostrou inefetiva, sendo nesses contextos substituída por uma nova verdade também composta de leis descobertas, testadas e retestadas, assim como analizadas por diversos pesquisadores independentes até confirmarem que eram, de fato, inequivocamente, leis naturais inegáveis e "absolutas": as leis da mecânica quântica. A mecânica clássica ainda vale, mas não é absoluta; vejamos até onde irá a mecânica quântica, mas vale lembrar, que até hoje a MQ em nada remeteu qualquer fenômeno físico ao suposto contexto espiritual, como gostam de argumentar varios espiritualistas.
- Comentário sobre o comentário: Os comentários acimas são falaciosos, porque já partem do pressuposto que Allan Kardec estabeleceu verdades ditas absolutas. É valioso lembrar que, ao mesmo tempo que os homens evoluem (e também sua ciência), assim também o fazem os espíritos. Ao contrário do dito acima, as informações "dadas pelos homens" são confiáveis, porém, deve-se proceder com cautela, já que o próprio Kardec advertia para os "charlatões", que utilizariam-se do Espiritismo para enriquecer ou aparecer. Deve-se então, perguntar: quem são os homens que repassaram tais informações?, e quais foram seus métodos de averiguação? Realmente, a ciência pode ser descobertas, testadas e retestadas. Com o Espiritismo, torna-se mais difícil tais testes e "re-testes", porque os materiais não estão ao belprazer dos espíritas. Diz-se, portanto, que o Espiritismo está em constante evolução (assim como as ciências materiais).
[editar] Controvérsias entre Adeptos da Doutrina Espírita e Seguidores de Outros Sistemas de Crenças
[editar] Catolicismo e Igrejas Evangélicas
As críticas contrárias apresentadas a seguir são feitas por religiosos e teólogos de Igrejas Evangélicas e Católicas, sendo as críticas favoráveis apresentadas logo abaixo delas feitas por estudiosos do Espiritismo. Assim, torna-se desnecessário dizer ao longo do texto "segundo A" ou "segundo B", "de acordo com A" ou "de acordo com B".
[editar] Religião cristã
- Crítica contrária: O Espiritismo não é uma religião cristã pois não aceita a doutrina da trindade, formada pelo Pai (Deus), pelo Filho (Jesus) e pelo Espírito Santo. Embora tenha posições favoráveis a respeito de Jesus, não pode ser considerada uma religião cristã, porque o cristianismo prega a redenção através da expiação e da justificação e o espiritismo prega a redenção através da reencarnação. O cristianismo se baseia na Bíblia e o espiritismo, apesar de utilizar a Bíblia, interpretando-a a seu modo, baseia-se nos escritos de seus fundadores, variando conforme a facção. Embora os espíritas se considerem cristãos, as principais denominações cristãs não consideram os espíritas cristãos.
- Crítica favorável: O Espiritismo é uma religião cristã pois segue todos os ensinamentos de Jesus, considerando-o como modelo e guia de toda a humanidade e tendo como máxima que "fora da caridade não há salvação", incentivando, assim, a obediência ao maior mandamento, conforme ensinado por Jesus, que é "Amai ao Pai sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos". Quanto à questão da reencarnação, Jesus ensinou que a cada um segundo suas obras. Ora, como pode, por exemplo, alguém nascer anencéfalo se nada havia feito antes? A única explicação possível é que as obras negativas feitas por esse alguém tenham sido feitas antes do seu nascimento como anencéfalo, isto é, em uma existência anterior onde ele teve saúde e a utilizou para o mal. Além disso, quando Jesus disse, referindo-se a João Batista, que ele era Elias, ele teria deixado claro que aceitava a lei de reencarnação. Além disso, vários dos dogmas aceitos pelos católicos e evangélicos foram criados pela Igreja em seus concílios, não constando do Velho Testamento, nem tendo sido ensinadas por Jesus. O termo Trindade, para citar um exemplo, não consta de nenhum trecho da Bíblia, como pode ser conferido em uma simples busca nas bíblias tradicionais disponíveis na Internet, tanto as católicas quanto as evangélicas. O dogma da Trindade foi criado no Primeiro Concílio de Nicéia. Tampouco Jesus disse ser filho único de Deus, tendo-nos ensinado a rezar "Pai Nosso" e tendo dito a Maria de Magdala após sua crucificação, que não o tocasse pois ainda não havia subido ao Pai, recomendando a ela "Deixa de me tocar, porque ainda não subi ao Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus." (Jo 20:17). O fato de os católicos e evangélicos seguirem tais dogmas que não constam da Bíblia não faz com que as correspondentes religiões sejam não cristãs. Elas são cristãs por seguirem os ensinamentos de Jesus, assim como o espiritismo o é porque o faz.
- Crítica Contrária: A interpretação de que João Batista foi Elias reencarnado é considerada errônea pelos teólogos católicos e evangélicos. Além disso, o conceito da Santíssima Trindade consta da Bíblia em Mt 28,19, confirmada em II Co 13.13 e em Mc 1,9-11 (No Batistmo de Jesus).
- Crítica Favorável: Apenas por alguns considerarem uma interpretação errônea, já é uma falácia, já que a interpretação é uma questão de cunho pessoal. Somente pode ser considerada definitivamente errônea quando for encontrado um sentido absoluto, sendo qualquer outro impossível de ser encontrado. O conceito de Santíssima Trindade foi definido pelo Concílio de Nicéia, não tendo existido antes disso. A religião é cristã ao passo de que segue os ensinamentos de Cristo. Não há como discutir tal afirmação, já que nenhuma religião possui o monopólio da figura de Jesus Cristo.
- Crítica contrária: As entidades que se manifestam nos Centros Espíritas são demônios, pois somente o Espírito Santo é de Deus.
- Crítica favorável: A palavra demônio vem do grego daimon, que significa gênio, portanto nada tem a ver com a concepção usual dada pelas religiões tradicionalistas, concepção essa que, aliás, é ilógica, visto que seria um paradoxo que Deus, como um Pai soberanamente Justo e Bom, pudesse ter criado um ser eternamente mau. Substituindo, entretanto, o termo "demônio" por "espírito voltado para o mal", temos o seguinte comentário a fazer. Jesus nos ensinou que se reconhece a árvore boa por produzir bons frutos. Ora, o Espiritismo ensina que se reconhece os bons espíritos, não pela pompa com que falam nem pelo nome importante que assumem, mas pelo conteúdo moral de suas palavras. Todos os ensinamentos contidos na Doutrina Espírita orientam o homem a melhorar-se, tornado-se caridoso, compassivo, paciente e humilde, incentivando-o, enfim, a aumentar as suas virtudes e abandonar seus vícios, orientação a qual seria frontalmente contrária à dada por demônios, já que por esses se entende seres voltados ao mal, interessados na queda e na corrupção do homem. Admitindo-se, portanto, que fossem demônios (espíritos voltados para o mal) e ao vermos que estes praticam o bem poderíamos concluir que, se assim o fizessem, estariam eles mesmos frustrando as próprias chances de alcançarem seus objetivos que é o sofrimento da humanidade.
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- Crítica contrária: O objetivo dos demônios, segundo alguns estudiosos, não é necessariamente fazer com que o homem pratique o "bem" ou o "mal", mas que o homem deixe de reconhecer a divindade de Jesus, contrariando o Evangelho segundo João (No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.), negar que Ele seja o Unigênito do Pai, Segunda Pessoa da Trindade, e Cordeiro de Deus. De sorte que o sacrifício vicário deixa de ser considerado essencial para a salvação do homem.
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- Crítica favorável: Se o objetivo de demônios é que o homem deixe de reconhecer a divindade de Jesus, os espíritos certamente não os são, pois que repetidamente veneram seu nome e aconselham a todos venerá-lo igualmente.
- Crítica favorável: Praticamente em quase sua totalidade, a literatura espírita reconhece Jesus Cristo como o irmão mais velho de toda a humanidade terrestre. Jesus, segundo o espiritismo, é o principal guia espiritual da terra desde a formação deste planeta. A Doutrina Espírita afirma que a divindade é uma centelha presente no espírito de todos os homens, e Jesus, na terra, é aquele onde esta centelha é mais desenvolvida.
[editar] Comunicação com os mortos
- Crítica contrária: A Bíblia condena o espiritismo e a comunicação com os mortos. a Bíblia, supostamente, mostraria que todos os "espíritos" seriam demônios comandados por Satanás, com o simples intuito de realizar diversos tipos de "enganos".
- Crítica favorável:O termo espiritismo foi criado no século XIX por Allan Kardec e não poderia, portanto, ter sido usado pelos autores dos livros bíblicos. O que Moisés proibiu foi a necromancia, o comércio com os mortos para obtenção de vantagens pessoais ou adivinhação«Não se achará no meio de ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro, nem encantador, nem quem consulte um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos...» (Deuteronômio 18:10-14)[1], prática igualmente condenada pelo Espiritismo. A propósito, se Jesus condenasse a comunicação com os "mortos", isto é, com os espíritos, ele não teria conversado com os espíritos de Moisés e Elias no monte Tabor.
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- Crítica contrária: O corpo de Moisés não foi encontrado pelo próprio povo da época e a Bíblia relata que Elias foi arrebatado aos céus, e, por isso, estudiosos da bíblia afirmam que não se pode constatar que estejam "mortos".
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- Crítica favorável: O argumento acima é falacioso, já que a não-presença de um corpo não significa que ele não esteja fora de uso pelo espírito (isto é, morto). Muito ao contrário, a não-presença prolongada de um corpo é argumento para que ele seja considerado morto, o que ocorre muitas vezes na sociedade atual com pessoas desaparecidas, naufragadas, etc.
[editar] Conversa de Jesus com Moisés e Elias
- Crítica contrária: Na Bíblia está escrito que Elias não morreu, mas sim que foi arrebatado por uma carruagem de fogo. A morte de Moisés indica que Deus tinha outros planos, portanto Jesus pode não ter conversado com os espíritos deles, e sim com eles próprios, visto que nem o corpo de Elias nem o de Moisés foram encontrados pelo povo da época.
- Crítica favorável: Segundo o relato da Bíblia, somente Eliseu viu o arrebatamento de Elias em uma carruagem de fogo. No entendimento espírita, a se dar crédito ao relato de Eliseu, o que deve ter havido foi um fenômeno de vidência do médium Eliseu que, incapaz, devido à sua ignorância sobre os fenômenos mediúnicos, de entender a grande claridade que emanava do espírito Elias após sua desencarnação, a descreveu como uma carruagem de fogo. É completamente possível, segundo o Espiritismo, que, tendo ele visto Elias após a morte envolto em grande luz, tenha imaginado que o seu mestre não havia morrido. Por outro lado, imaginar que as pessoas conservem seus corpos após a sua morte seria ir contra todas as evidências da ciência, o que invalidaria a hipótese de Moisés ter conservado o seu por milênios após sua morte.
- Crítica contrária: Obviamente os corpos não poderiam ser conservados na Terra, mas no céu as pessoas poderiam estar em seus próprios corpos, já que a escatologia cristã afirma que haverá ressurreição corporal (e não espiritual) das pessoas. Os cristãos crêem que para Deus nada é impossível e que será exatamente assim a ressurreição corporal.
- Crítica favorável: A tese de ressurreição corporal apresentaria um problema insolúvel: Quando um corpo é enterrado, todos os seus componentes retornam à natureza, onde são absorvidos primeiramente pelas bactérias e pelos vermes, depois pelas plantas que são, por sua vez, comidas por animais, que são comidos por outros animais e por outros seres humanos. Então, as partes constituintes do corpo de uma pessoa que morreu vão sendo utilizadas nos corpos de outros animais e de outros humanos pelos milênios afora. Após milhões de anos, os elementos minerais que constituíam o corpo de uma pessoa que morreu estarão espalhados em milhões de outros corpos vivos e terão sido usados em bilhões de outros corpos de seres que morreram ao longo desse extenso período. Assim, nenhum ser humano poderia, após um período tão extenso, ter reconstituído o seu corpo original, pois cada átomo desse corpo teria que ser usado para reconstituir, também, uma infinidade de corpos de outros seres humanos.
- Crítica contrária: Maciej Józefczuk, teólogo e estudioso da Bíblia, refuta esta questão em sua dissertação de doutorado, apontando o capítulo 37 do livro de Ezequiel, que para este deixa claro a questão da ressurreição corporal, que independeria de átomos ou moléculas originais para que seja plenamente efetuada[2].
- Crítica favorável: O capítulo 37 do livro de Ezequiel tem linguagem nitidamente metafórica. Começa o capítulo dizendo Ezequiel que "1 VEIO sobre mim a mão do SENHOR, e ele me fez sair no Espírito do SENHOR, e me pôs no meio de um vale que estava cheio de ossos. 2 E me fez passar em volta deles; e eis que eram mui numerosos sobre a face do vale, e eis que estavam sequíssimos." Ora, a nossa análise mais acima é de natureza científica. Ossos de pessoas mortas no meio de um vale e que estejam inteiros, mesmo que secos, é uma impossibilidade física. Poderia, se muito, haver fragmentos de ossos. Como Ezequiel diz que saiu "no Espírito do SENHOR", é evidente que a visão que ele teve não foi física, mas espiritual. Não serve, portanto, para refutar um argumento científico. Ezequiel prossegue dizendo: "4 Então me disse: Profetiza sobre estes ossos, e dize-lhes: Ossos secos, ouvi a palavra do SENHOR. 5 Assim diz o Senhor DEUS a estes ossos: Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis. 6 E porei nervos sobre vós e farei crescer carne sobre vós, e sobre vós estenderei pele, e porei em vós o espírito, e vivereis, e sabereis que eu sou o SENHOR. 7 Então profetizei como se me deu ordem. E houve um ruído, enquanto eu profetizava; e eis que se fez um rebuliço, e os ossos se achegaram, cada osso ao seu osso. 8 E olhei, e eis que vieram nervos sobre eles, e cresceu a carne, e estendeu-se a pele sobre eles por cima; mas não havia neles espírito. 9 E ele me disse: Profetiza ao espírito, profetiza, ó filho do homem, e dize ao espírito: Assim diz o Senhor DEUS: Vem dos quatro ventos, ó espírito, e assopra sobre estes mortos, para que vivam. 10 E profetizei como ele me deu ordem; então o espírito entrou neles, e viveram, e se puseram em pé, um exército grande em extremo. 11 Então me disse: Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eis que dizem: Os nossos ossos se secaram, e pereceu a nossa esperança; nós mesmos estamos cortados." É fácil de observar que o processo descrito por Ezequiel não se refere à volta dos espíritos aos seus corpos originais, logo não se trata da ressurreição corporal que contestamos.
[editar] Outras Controvérsias
Outras controvérsias desse tipo podem ser encontradas nos diversos artigos que tratam de temas espíritas, como, por exemplo:
A grande vantagem deste tipo de controvérsia ser feito nos artigos principais é que o leitor pode ler um texto mais completo a favor antes de ler a crítica negativa, permitindo-lhe não só entender melhor a crítica negativa como melhor ponderar os argumentos pró e contra a fim de fazer o seu próprio julgamento sobre a questão.
[editar] Dissidências do Movimento Espírita
Seguem, abaixo, as dissidências mais conhecidas do Movimento Espírita:
[editar] Referências
- ↑ Segundo a versão bíblica Ferreira de Almeida Atualizada
- ↑ Maciej Józefczuk, SVD. Tese de Doutorado. Pag. 252. Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia. Belo Horizonte - 2006.
[editar] Bibliografia
[editar] Críticas Contrárias
- COSTA, Jefferson Magno Costa. Porque Deus Condena o Espiritismo. Rio de Janeiro: CPAD, 1987.
- FERREIRA, Júlio de Andrade. O espiritismo: uma avaliação. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1959
- KLOPPENBURG (O.F.M.), Frei Boaventura. Espiritismo e fé. São Paulo: Quadrante, 1990 (Temas Cristãos, n° 16). 68p.
- id. Espiritismo: orientação para os católicos. São Paulo: Edições Loyola, 1997. 208p. ISBN 8515004585
- LOPES, Hernandes Dias. É possível comunicar-se com os mortos? Belo Horizonte Editora Betânia, 2003.
- MANZANARES. César Vidal. Dicionário de seitas e ocultismo. Coimbra: G.C. - Gráfica de Coimbra, Lda., 1992. 276p. ISBN 9726030579
- REIS, Álvaro. O espiritismo. Rio de Janeiro: Tip. Martins de Araújo & Cia., 1916.
- Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, Sociedade. Raciocínios à base das escrituras. (edição brasileira) Cesário Lange; (edição portuguesa) Estoril: Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados, 1989.
[editar] Críticas Favoráveis
- ALEIXO, Sérgio Fernandes. Com quem falaram os profetas?. Lachâtre.
- id. Meu Novo Nome: Identidade Profética da Doutrina Espírita. CELD.
- id. O Mais Profundo Religar'. Lachâtre .
- id. O Espírito das Revelações - Fundamentos da Relação entre o Espiritismo e o Cristianismo do Cristo. Lachâtre.
- id. Reencarnação - Lei da Bíblia, Lei do Evangelho, Lei de Deus. Lachâtre.
- BERNARDI, Ricardo Di. Reencarnação e Evolução das Espécies. Livraria e Editora Universalista. ISBN 858690034
- BOZANO, Ernesto. Fenômenos Premonitórios. Tradução de "Des Phénomènes Prémonitoires". CELD. ISBN 8572971947
- CHAVES, José Reis. A Face Oculta das Religiões. Martin Claret. (esgotado)
- id. A Reencarnação na Bíblia e na Ciência. EBM Editora. ISBN 8587011162.
- DELANNE, Gabriel. O Espiritismo Perante a Ciência. Tradução de "Le Spiritisme devant la Science". FEB.
- DENIS, Léon. Cristianismo e Espiritismo. Tradução de "Cristianisme et Spiritisme". FEB.
- GIMÊNEZ, Henrique Neyde. A Mediunidade na Bíblia. Edições FEESP.
- GUIMARÃES, Carlos A. Fragoso. Carl Gustav Jung e os Fenômenos Psíquicos. Madras. ISBN 8573747978
- KÜHL, Euripedes. Genética e Espiritismo. FEB. ISBN 8573280603
- MIRANDA, Hermínio Correa de. A Reencarnação na Bíblia. Pensamento.
- id. Cristianismo: a mensagem esquecida. Editora O Clarim.
- NUNES FILHO, Américo Domingos. Razão e Dogma. Editora O Clarim.
- PIRES, José Herculano. Agonia das Religiões. Paidéia.
- id. Revisão do Cristianismo. Paidéia.
- id. Visão Espírita da Bíblia. Editora Correio Fraterno do ABC.
- SILVA SOBRINHO NETO, Paulo da. A Bíblia à Moda da Casa. Panorama Espírita Publicações. ISBN 8588917017
- SILVA, Severino Celestino da. Analisando as Traduções Bíblicas. Idéia Editora. ISBN 858686791-8
- SOUZA, Hebe Laghi de. Darwin e Kardec, Um Diálogo Possível. Editora do Centro Espírita Allan Kardec. ISBN 8587715267
[editar] Não Espíritas
No seção de Referências do artigo Reencarnação há uma farta bibliografia adicional de obras não espíritas sobre o tema.
[editar] Outras posições
- EBON, Martin. Eles Conheceram o Desconhecido. Tradução de "They Knew the Unknown". Pensamento. ISBN 8531502071
- SANTOS, José Luiz dos. Espiritismo: uma religião brasileira. São Paulo: Editora Moderna, 1997 (Coleção Polêmica). 96p. ISBN 8516018318
[editar] Ligações externas
[editar] Favoráveis
[editar] Contrárias
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